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Educação Financeira

Será este o melhor momento para investir em obrigações?

Há dois motivos que fazem do momento atual uma altura particularmente interessante para considerar as obrigações como parte de um portfólio de investimento. O Gustavo explica-os no vídeo, juntamente com o processo completo de como está a construir a sua posição.

Nota importante: este artigo é apenas informativo e reflete uma análise pessoal. Não constitui aconselhamento financeiro. Antes de investires, avalia sempre o teu perfil de risco e, se necessário, consulta um profissional certificado.

Porque agora pode ser um bom momento para obrigações…

Temos duas razões principais:

1. Expectativa de subida das taxas de juro, associada ao aumento de uma instabilidade geopolítica. Isto é positivo para quem investe em renda fixa, porque significa cupões superiores, especialmente em obrigações associadas ao Tesouro americano ou de outros países com boa notação de crédito.

2. O mercado acionista está em máximos históricos. Temos de reconhecer que o Indicador de Buffett (que compara o valor de mercado com o PIB) mostra uma discrepância significativa entre o valor da bolsa e aquilo que a economia realmente produz.

Há ainda outro dado que preocupa: as 10 maiores empresas do S&P 500 representam cerca de 40% do índice, com vendas cruzadas entre si que podem estar a inflacionar artificialmente os resultados. Isto não significa que o mercado vá corrigir amanhã, pode continuar a subir, mas é um sinal de que vale a pena diversificar.

É aqui que entram as obrigações: uma forma de rentabilizar capital com uma taxa fixa e previsível, sem depender da direção do mercado acionista.

Onde se encaixam as obrigações no espetro de risco?

Do menor para o maior risco (e potencial retorno), a ordem é:

Obrigações → ETFs → Ações → Opções

As opções são derivados sobre ações que permitem alavancagem, ganhos ou perdas muito superiores aos da ação subjacente, ainda que a perda esteja limitada ao prémio pago.

As obrigações, no outro extremo, oferecem uma taxa fixa e previsibilidade.

É importante percebermos que obrigações com maturidade até um ano não substituem uma reserva de emergência, porque o capital fica indisponível até essa data. Servem antes como um investimento de curto prazo, para capital que não vai ser necessário nesse período.

Tesouro Americano vs. Obrigações Corporativas

Notes do Tesouro americano (AN 2027)

Uma obrigação do governo dos EUA com maturidade a 15 de maio de 2027 (menos de um ano), com uma yield to maturity (YTM) de cerca de 4,48%. É a opção mais segura, associada ao risco de crédito do governo americano.

O problema será «dólares», o que implica risco cambial. Como o euro tem estado próximo dos 0,85 face ao dólar, essa exposição pode representar tanto uma oportunidade como um risco, dependendo da tua visão sobre a evolução do câmbio.

Obrigações corporativas da Freedom Finance (FFSC4)

Uma obrigação com rating de crédito B/B-, denominada em euros, com uma yield de 8%, pagamento trimestral de cupão e maturidade a 26 de maio (praticamente um ano). Como está em euros, elimina o risco cambial.

O Gustavo optou por esta segunda opção, sublinhando que se sente confortável com o risco de crédito da Freedom Finance SPC, uma vez que o colapso desta obrigação específica implicaria o colapso de praticamente todo o grupo Freedom Holding, algo que consideraria altamente improvável dado o impacto reputacional.

Porquê que fazer cobertura cambial (hedging) não compensa na prática?

Uma das partes mais técnicas do vídeo é a análise de como proteger o risco cambial ao investir em obrigações denominadas em dólares, usando um CFD sobre o par EUR/USD.

A conclusão é clara: não compensa. Os custos associados, spread na abertura da posição e, sobretudo, o swap diário acumulado ao longo de um ano, comem a maior parte do retorno. Segundo os cálculos apresentados, uma obrigação com yield de 4,5% ficaria reduzida a uma rentabilidade líquida próxima de 1% depois de contabilizados os custos de hedging, mesmo considerando o volume mínimo possível.

Se não estás confortável com exposição ao dólar, a alternativa em euros (como a obrigação da Freedom Finance) evita este problema à partida.

Um detalhe que faz toda a diferença: o preço da obrigação

É frequentemente esquecido por quem começa a investir em obrigações a yield anunciada, que nem sempre é a yield real.

No caso da obrigação FFSC4, apesar de anunciada a 8%, o preço de mercado no momento da compra estava em 102,96 (acima dos 100 de valor nominal). Isto significa pagar um prémio, o que reduz a yield to maturity real para cerca de 4,95-5%. Ainda assim, se considerarmos outras alternativas, dificilmente encontraremos melhor com estas condições.

Esta diferença entre a taxa de cupão anunciada e a yield to maturity real é essencial de perceber antes de investir, o preço de compra da obrigação afeta diretamente o retorno final.

Conclusão: uma almofada, não uma alternativa

Temos de manter claro o objetivo desta estratégia: as obrigações não substituem o investimento em ações ou ETFs, funcionam como uma almofada de segurança, capital que rentabiliza a uma taxa fixa e previsível, independentemente do que aconteça ao mercado acionista nos próximos meses.

Com o mercado em máximos históricos e sinais de sobrevalorização em várias métricas, diversificar parte do portfólio em renda fixa de curto prazo (até um ano) permite manter exposição ao potencial de subida das ações, sem ficar totalmente dependente dessa direção.

Fica atento pois vão continuar a haver análises em episódios futuros, testando outras obrigações e comparando ratings de crédito, sempre com o mesmo horizonte temporal: maturidades iguais ou inferiores a um ano.

Sobre o Lucrar.pt

O Lucrar.pt é um projeto de Gustavo Araújo, analista financeiro independente registado na CMVM e certificado a nível europeu (CEFA/EFFAS), licenciado em Finanças e Contabilidade com especialização em Finanças pelo ISCTE (IBS). Distinguido na lista Forbes 30 Under 30 Europe · Finance 2026.

Os dados citados neste artigo têm data e fonte indicadas. Se encontrares um valor desatualizado ou um erro, avisa-nos. Corrigimos e assinalamos a correção. Sabe mais sobre o método e a política editorial do site em Sobre o Lucrar.pt.

Perguntas frequentes

Porque é que este pode ser um bom momento para obrigações?

Por duas razões apontadas neste artigo: a expetativa de subida das taxas de juro, associada a maior instabilidade geopolítica, que significa cupões mais altos sobretudo em emissões com boa notação de crédito, e o facto de o mercado acionista estar em máximos históricos.

O que é o Indicador de Buffett e o que está a mostrar?

Compara o valor de mercado das ações com o PIB. Neste momento mostra uma discrepância significativa entre o valor da bolsa e aquilo que a economia realmente produz. Não quer dizer que o mercado vá corrigir amanhã, é um sinal de que vale a pena diversificar.

Qual é a ordem de risco entre obrigações, ETFs, ações e opções?

Do menor para o maior risco, e também de menor para maior potencial de retorno: obrigações, depois ETFs, depois ações, e por fim opções.

Porque é que a concentração do S&P 500 é um problema?

Porque as dez maiores empresas do índice representam cerca de 40% do total, com vendas cruzadas entre si que podem estar a inflacionar artificialmente os resultados. Quem compra o índice inteiro está mais concentrado do que julga.

O que dão as obrigações que as ações não dão?

Uma taxa fixa e previsível, que não depende da direção do mercado acionista. É por isso que funcionam como contrapeso numa carteira, e não como substituto das ações.

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