Esta semana os Estados Unidos afundaram cinco petroleiros iranianos, o Irão respondeu com mísseis contra uma base americana na Jordânia, e o petróleo fez o que não fazia desde julho. Wall Street sentiu o golpe dois dias seguidos, enquanto o ouro fica indeciso entre dois níveis que valem a pena vigiar. Em Portugal, um estudo revelou qual é hoje a maior preocupação dentro de casa das famílias, e não é o que estarias à espera.
Tens 5 minutos? Então vem ver o que se passou.
🔥 Cinco Petroleiros Afundados, Mísseis Sobre a Jordânia e o Petróleo Que Voltou aos Três Dígitos
Já ouviste falar que esta semana os Estados Unidos afundaram cinco petroleiros iranianos e o Irão respondeu com mísseis contra uma base militar americana na Jordânia? Tudo começou na terça feira, quando os Houthis atacaram instalações de energia sauditas em quatro cidades no sul do país, ferindo 73 pessoas e obrigando a Aramco a suspender operações em vários locais. O petróleo reagiu de imediato e o Brent chegou aos 99,46 dólares, o valor mais alto desde 24 de julho.
Ontem a tensão subiu mais um degrau. O Comando Central americano confirmou que destruiu cinco petroleiros ligados à Guarda Revolucionária iraniana, depois de esta ter tentado atingir um navio de guerra dos EUA por duas vezes em dois dias. Teerão respondeu horas depois com mísseis balísticos contra a base de Al Azraq na Jordânia, e alega ainda ter atacado dez navios perto do Estreito de Ormuz, dois deles americanos. A Jordânia intercetou 18 mísseis, e o CENTCOM negou por completo que algum navio americano tenha sido atingido. Foi a maior troca de ataques a navios desde que a guerra começou, há seis meses.
O petróleo não perdoou. O Brent ultrapassou finalmente os 100 dólares pela primeira vez desde julho, e essa subida arrastou os mercados acionistas para o segundo dia consecutivo de perdas. O Dow caiu 396 pontos ontem, depois de já ter perdido 628 na véspera, e o Nasdaq recuou quase 1%, com a tecnologia a liderar as quedas. As yields do Tesouro fizeram o percurso inverso, a 10 anos já se aproxima de máximos de duas décadas, mesmo na semana em que o mercado se prepara para o CPI de agosto.
💰 Quando as Ações Caem e as Obrigações Também Sobem de Yield
Já ouviste falar que, normalmente, quando os mercados acionistas caem dois dias seguidos como aconteceu esta semana, o dinheiro foge para as obrigações e as yields descem? Desta vez não foi isso que aconteceu. Com o Brent a ultrapassar finalmente os 100 dólares pela primeira vez desde julho, depois da escalada entre os EUA e o Irão, a yield a 10 anos do Tesouro americano aproximou se ainda mais de máximos de duas décadas, mesmo com o Dow a perder mais de mil pontos em dois dias. O motivo é simples: desta vez o choque não é de crescimento, é de inflação, e inflação é precisamente o que faz as yields subir, não descer.
O que isto significa na prática é que quem está a monitorizar obrigações de longo prazo tem agora um ponto de entrada que a maioria dos ciclos de pânico não costuma oferecer. Normalmente o investidor tem de escolher entre proteção, comprando dívida quando ela está cara e a pagar pouco, ou rendimento, comprando quando ninguém a quer e ela paga bem, mas o risco é elevado. Esta semana juntou as duas coisas ao contrário do costume: o medo está no mercado, mas quem entra em dívida soberana americana continua a fixar um retorno perto de máximos históricos, com a garantia do Tesouro dos EUA por trás. Só falta saber se o CPI de sexta feira confirma a pressão inflacionária que o petróleo já está a mostrar, e se a Fed vai mesmo mexer a 16 de setembro.
Além disso, este tipo de instrumento apenas se encontra disponível em algumas corretoras em Portugal, sendo a Freedom24 uma delas.
O ouro segue a recuar 36 dólares esta semana, ainda a meio da negociação, depois de ter aberto nos $4.422,49 e tocado uma máxima de $4.442,98. A vela em curso já mostra rejeição perto do topo e uma mínima nos $4.341,25, sinal de que os vendedores ainda têm força suficiente para travar qualquer tentativa de recuperação mais firme. Olhando para o gráfico semanal, o metal está claramente numa fase de consolidação depois de um movimento muito maior, a subida que levou o preço dos $3.200 no início de 2025 até um pico acima dos $5.400, seguida de uma correção pronunciada que devolveu o ouro até perto dos $3.940.
É precisamente entre esses dois extremos que a retração de Fibonacci ganha sentido. Com o 0% fixado nos $3.939,86 e o 100% nos $5.421,13, o preço atual senta se bem abaixo dos 50% nos $4.680,50, o que significa que a recuperação desde a mínima ainda não recuperou metade do terreno perdido na correção. Os níveis dos 62% ($4.858,25), 70,5% ($4.984,16) e 79% ($5.110,07) continuam todos por cima, fora de alcance enquanto o preço não conseguir consolidar de forma consistente acima da barreira dos $4.600.
E é exatamente aí, perto dos $4.600, que está marcada uma zona horizontal que já serviu de suporte numa fase anterior e agora volta a testar o preço pelo lado de cima. Do lado inferior, existe outra zona horizontal próxima dos $4.000, que coincide de perto com a base da retração e que foi onde o ouro encontrou compradores da última vez que lá esteve. Enquanto o preço se mantiver entre estas duas zonas, sem fechar de forma decisiva de nenhum dos lados, a leitura mais honesta é a de um mercado indeciso a digerir a correção antes de escolher o próximo movimento maior.
📊 Market Snapshot
🏢 Outros destaques nos mercados
A guerra já custa $100,9 mil milhões aos americanos: segundo a Brown University, os consumidores dos EUA pagam a mais $770 por agregado familiar em combustível desde que a guerra começou em fevereiro, com o gasóleo em máximo histórico de $5,90 o galão.
A China acelera as exportações: as vendas externas chinesas cresceram 25% em dólares em agosto face ao ano anterior, mais do que os 23,9% de julho, mas as importações ficaram aquém do esperado, sinal de que a procura interna continua fraca.
O cobre bate recordes: o metal tocou máximos históricos, perto dos $6,85 por libra na Comex e dos $14.617 por tonelada em Londres, já 21% acima do início do ano, com o mercado a antecipar tarifas e aperto de oferta.
A Intel sobe 9%: as ações dispararam depois de notícias de que a fabricante de chips prepara uma subida de preços, um sinal de força de procura numa altura em que o setor tem estado sob pressão.
O CPI de agosto sai já sexta: será a última leitura de inflação antes da reunião da Fed a 16 de setembro, e vai pesar diretamente na decisão de subir ou não os juros.
📑 Earnings das empresas
Resultados :
GameStop ($GME): receita de $790,2 milhões, acima da estimativa de $756,85 milhões dos analistas, mas ainda -18,7% face ao ano passado, arrastada pela ausência do efeito Nintendo Switch 2, pelo encerramento de lojas e pela venda da operação em França. O lucro líquido mais que duplicou para $298,7 milhões, mas boa parte veio da posição em ações da eBay, que a empresa detém em 43,4 milhões de ações avaliadas em quase $5 mil milhões. O negócio de colecionáveis cresceu 57% e já pesa 45% das vendas totais. A empresa subiu o guidance de EBITDA ajustado para acima dos $650 milhões. Resultado: quem olhar só para o lucro vê uma empresa a recuperar, quem olhar para a receita vê a mesma loja de sempre a encolher, só que agora com uma carteira de ações a pagar as contas.
📈 Gráfico do dia
🇵🇹 A Economia Já é a Maior Preocupação Dentro de Casa dos Portugueses
Já ouviste falar que, segundo o relatório anual da Ikea sobre a vida em casa, 47% dos portugueses apontam o estado da economia como a sua principal preocupação, à frente do rendimento familiar e até da saúde? O estudo “Life at Home Report 2026” ouviu famílias portuguesas e concluiu que a casa se tornou um refúgio contra o contexto geopolítico e macroeconómico, com 71% dos inquiridos a descreverem-na como uma espécie de santuário. Mas o refúgio tem um problema, falta espaço, e mais de um terço, 38%, aponta diretamente as finanças e o rendimento disponível como fonte de ansiedade dentro de casa.
Na prática, a lista de prioridades mudou. Quando questionados sobre o que torna uma casa ideal, os portugueses colocam à frente o espaço para relaxar (56%), o espaço para serem eles próprios (39%) e o espaço para hobbies (38%). O roupeiro é a divisão que mais dor de cabeça dá a 35% das famílias, e 37% admite perder tempo todos os dias à procura de coisas. A Ikea já reagiu ao sinal, baixou os preços dos artigos de arrumação e absorveu essa diferença na margem, numa aposta clara em como a incerteza económica está a mudar aquilo que os portugueses valorizam dentro das quatro paredes.
💰 Ação do dia
(Calma, apenas para colocar na watchlist!)
💎Patrocinador
A Freedom24 é uma plataforma que permite aceder a ações, ETFs, Obrigações e outros instrumentos financeiros em bolsas como a NASDAQ e a NYSE.
Há várias ferramentas para utilizar nos gráficos, informações de mercado e dados fundamentais das empresas.
No botão abaixo permite aceder a uma campanha limitada até dia 31/10/2026:
Obrigado!🙏
Quero agradecer por estares nesse lado a acompanhar o meu trabalho.
Deste lado cá estarei para te apoiar com os meus estudos!
Até uma próxima!
Gustavo Araújo
Disclaimer 📌
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