| A Apple apresentou um dos melhores trimestres da sua história e foi castigada. A Amazon gastou ainda mais em capex e foi premiada com o maior salto em anos. No mesmo dia, dois critérios opostos, duas reações opostas. Em Portugal, ficou mais difícil pedir crédito à habitação a partir de hoje. E há um dado de inflação que a Fed anda a vigiar de perto e que finalmente deu uma trégua ao mercado. |
| Tens 5 minutos? Então vem ver o que se passou. |

🚀 O Dia Em Que a Microsoft Salvou o Ano da Inteligência Artificial
| Quinta-feira, 30 de julho, vai ficar na história da Microsoft por um único número: +15,5%. Foi o maior ganho diário de sempre da ação, um salto que apagou meses de dúvidas sobre o retorno do capex em IA numa única sessão. O gatilho foi simples e devastador para quem apostava contra: o Azure cresceu 43%, muito acima dos 40% esperados, ultrapassou os $100 mil milhões de receita anual pela primeira vez, e a Microsoft mostrou aquilo que a Alphabet e a Tesla não conseguiram mostrar uma semana antes, gastar em IA e ter o dinheiro para o provar. |
| O efeito de arrastamento foi imediato e generalizado. O índice dos semicondutores disparou 8,2%, a Applied Materials somou 15% e a Micron 18,4%, com compras a espalhar-se de equipamento de produção a memória. O Nasdaq subiu 2,8% e quebrou finalmente uma sequência de seis dias consecutivos de perdas, o Dow ganhou mais de 613 pontos e a VIX, o índice do medo, afundou 17,3%. Depois de uma semana em que o Kospi tinha caído 10,84% e apagado biliões em valor, o mercado decidiu que talvez a IA ainda tivesse futuro, só precisava de uma empresa a provar a tese com números em cima da mesa. |

| A sexta-feira, último dia de julho, trouxe o resto do puzzle. A Amazon disparou com resultados fortes e a Apple afundou, penalizada por números fracos na China e nos Services, um lembrete de que a regra desta earnings season não perdoa ninguém: números bons compram-se caro, números fracos pagam-se caro, não interessa o tamanho da empresa. Ainda assim, os três índices fecharam a semana em alta, com o S&P 500 a marcar 7.489,72 no fecho de julho. |
| O contexto que ficou por resolver é o que deve preocupar mais. Enquanto as ações festejavam, as obrigações mandavam um recado diferente: a yield a 30 anos disparou para 5,25%, o nível mais alto desde 2007, com o petróleo a fechar julho a subir mais de 26% no mês e as apostas numa subida de juros da Fed em setembro a saltar de menos de 50% para mais de 80% numa única semana. O mercado acionista escolheu celebrar o Azure. O mercado obrigacionista escolheu temer a inflação. Julho terminou com os dois a terem razão ao mesmo tempo. |
💰 A Obrigação Que Ficou Mais Cara de Ignorar
| Já ouviste falar que a dívida americana a 30 anos fechou julho a pagar 5,25% ao ano, um novo máximo desde 2007, superando até o pico da semana passada? A escalada não parou com a decisão da Fed, continuou depois dela. E desta vez o culpado tem nome próprio: o petróleo, que fechou o mês a subir mais de 26%, o maior salto mensal em anos, com a guerra no Golfo a entrar no sexto mês sem fim à vista. Energia mais cara significa inflação mais teimosa, e inflação teimosa significa que quem empresta dinheiro ao Tesouro americano exige cada vez mais para o fazer. |
| O que isto significa na prática é que a matemática mudou a meio do verão. Há um mês, o mercado dava menos de 50% de probabilidade a uma subida de juros da Fed em setembro. Hoje esse número já passa dos 80%. Uma yield a 5,25% durante 30 anos, com garantia soberana americana, é um contrato que ontem parecia improvável e hoje está em cima da mesa, precisamente porque o petróleo decidiu não cooperar com ninguém. Isto não é o tipo de nível que se testa duas vezes: ou a guerra acalma e a inflação recua, e a yield desce com ela, ou a escalada continua e a Fed é forçada a agir, o que também travaria a subida das taxas longas por outra via. Fechar o retorno agora é apostar contra as duas hipóteses do futuro em simultâneo. |

| Além disso, este tipo de instrumento apenas se encontra disponível em algumas corretoras em Portugal, sendo a Freedom24 uma delas. |
| Caso tenhas interesse em criar uma conta: |

📊 Análise Técnica – Realty Income ($O)
| O gráfico da Realty Income desenha o dividendo em movimento: uma tendência de fundo ascendente que arranca ainda em 2025 nos $51 e nunca foi verdadeiramente quebrada, com uma linha de suporte que sobe de forma constante e já vai nos $60. As duas médias contam a mesma história de disciplina, a EMA de 14 semanas (vermelha) e a EMA de 40 semanas (branca) cruzaram-se em alta no início de 2026 e mantêm-se nessa configuração desde então, com o preço a respeitar repetidamente a curta como suporte dinâmico em cada correção. |
| O ano de 2026 já produziu dois níveis de referência claros: o máximo nos $68, tocado em maio, e o mínimo nos $56, marcado em fevereiro, uma amplitude de 21% que define o range em que a ação tem negociado. Depois do pico de maio, o preço corrigiu até encostar à EMA de 40 semanas em junho, ressaltou, e está agora a construir uma segunda tentativa de recuperação, com a EMA de 14 semanas a servir de suporte imediato nos $63. |
| O que torna este gráfico diferente dos das gigantes tecnológicas desta edição é precisamente a ausência de drama: sem capex de $200 mil milhões, sem earnings a mover 15% num dia, a Realty Income sobe devagar, à boleia do dividendo mensal que a tornou famosa. Numa semana em que as yields das obrigações bateram máximos de quase duas décadas, um REIT como este compete diretamente pelo dinheiro do rendimento fixo, e é a EMA de 40 semanas, não os resultados trimestrais, que decide se a subida continua. |

📊 Market Snapshot

🏢 Outros destaques nos mercados
- A inflação favorita da Fed deu tréguas: O core PCE de junho, a medida de inflação que a Fed realmente segue, arrefeceu, aliviando parte da pressão que vinha a construir-se em torno de uma subida de juros. A reação foi imediata: uma recuperação liderada pelos chips levou o S&P 500 ao melhor dia em sete semanas e arrastou os mercados asiáticos. O dólar fecha julho a caminho da pior perda mensal do ano. Poucos dias depois de Kevin Warsh insistir que os 2% “serão entregues”, os dados finalmente começaram a dar-lhe razão.
- O Banco do Japão ficou parado, o mundo não: O BoJ manteve as taxas inalteradas na sua reunião, uma decisão sem surpresas que contrasta com a agitação em todo o resto do mundo. As atas da reunião de junho, atrasadas, saem já na próxima semana e podem revelar se os responsáveis japoneses estão finalmente a inclinar-se para mais subidas, depois de meses de pressão inflacionária ligada à energia.
- Wall Street olha para sexta-feira: A semana que junta resultados de SpaceX, AMD, Palantir e Uber tem um evento macro a fechar tudo: o relatório de emprego americano de sexta-feira. As previsões apontam para um crescimento modesto de apenas 65 mil postos de trabalho, muito por causa do fim de empregos temporários ligados ao Mundial. Se o desemprego confirmar a subida esperada para 4,3%, a narrativa da subida de juros da Fed em setembro pode começar a perder força pela primeira vez em semanas.
📑 Earnings das empresas
Resultados Divulgados:
- Apple ($AAPL): Receitas de $109,42 mil milhões superam estimativas em mais de $700M, com o iPhone a crescer 22% para $54,25 mil milhões, a sua melhor performance de sempre num trimestre de junho. EPS de $2,02 bate os $1,89 esperados. Nada disto travou a queda: os Services falharam as previsões, com $30,74 mil milhões contra $31,22 mil milhões esperados, e a China desapontou com $18,8 mil milhões abaixo do previsto. A ação caiu até 7,35% em after hours, depois de ter tocado os $344 dias antes. Números recorde, mas o mercado queria mais dos dois motores de crescimento futuro.
- Amazon ($AMZN): Receitas de $200,6 mil milhões esmagam as estimativas em mais de $4 mil milhões, com a AWS a acelerar 37%, o crescimento mais rápido em 18 trimestres. EPS de $5,75 contra $1,81 esperados, uma surpresa gigante inflacionada por ganhos de investimento, mas mesmo o lucro operacional core disparou 43%. A Amazon subiu o capex anual para $220 mil milhões e o mercado não se importou nada: a ação disparou mais de 15% em after hours. Na mesma noite em que a Apple foi castigada por servços fracos, a Amazon foi premiada por gastar mais e entregar mais.
- Mastercard ($MA): Receitas de $9,3 mil milhões superam estimativas. EPS de $5,04 bate os $4,77 esperados. A ação recuou ligeiramente 0,74%, um dia tranquilo numa semana em que ninguém estava a olhar para os pagamentos.
Resultados a serem divulgados:
- Berkshire Hathaway ($BRK.B): Resultados na segunda-feira, 3 de agosto. Receitas estimadas de $96,52 mil milhões. A ação negoceia nos $511, capitalização de $1,1 biliões. Warren Buffett não tem Azure nem AWS para mostrar, mas numa semana de yields em máximos de duas décadas, o colchão de liquidez da Berkshire nunca pareceu tão relevante.
- Palantir ($PLTR): Resultados na segunda-feira, 3 de agosto, após o fecho. Receitas estimadas de $1,81 mil milhões e EPS de $0,34. A ação negoceia nos $123, capitalização de $295 mil milhões. Depois de Microsoft e Amazon terem provado que o capex pode ter retorno, a Palantir entra com a fasquia mais alta de sempre para justificar o próprio múltiplo.
- SpaceX ($SPCX): Resultados na terça-feira, 4 de agosto. A ação negoceia nos $108, já mais de 50% abaixo do máximo histórico atingido pouco depois do IPO em junho, capitalização de $1,43 biliões. A estreia em bolsa mais aguardada do ano continua sem conseguir travar a queda.
- AMD ($AMD): Resultados na terça-feira, 4 de agosto, após o fecho. Receitas estimadas de $11,29 mil milhões e EPS de $1,61. A ação negoceia nos $476, capitalização de $776 mil milhões. Depois do rali dos semicondutores desencadeado pela Microsoft, a AMD tem a missão de confirmar que a recuperação do setor é real e não apenas eco de uma noite.
📈 Gráfico do dia

Ficou Mais Difícil Pedir Crédito à Habitação em Portugal
| Entraram hoje em vigor as novas regras do Banco de Portugal para o crédito à habitação, e o número central mudou de forma significativa: a taxa de esforço máxima aceite pelos bancos caiu de 50% para 45% do rendimento líquido mensal. Na prática, o limite considera todas as responsabilidades do cliente, incluindo prestações de outros empréstimos, e é calculado num cenário em que as taxas de juro se agravam em 1,5 pontos percentuais. É menos margem para quem já vive perto do limite, e menos capacidade de endividamento para quem está a comprar casa pela primeira vez, num mercado onde os preços já bateram recorde este ano. |
| O Banco de Portugal deixou uma porta aberta, mas estreita: os bancos podem aprovar créditos com taxa de esforço superior a 45%, desde que essas exceções não ultrapassem 10% do total de crédito concedido em cada semestre. O objetivo declarado é conter o endividamento das famílias e reforçar a prudência na avaliação da capacidade de pagamento, mas a exceção mostra que o próprio banco central sabe que uma regra rígida a 100% deixaria demasiada gente de fora. |
| A segunda mudança relevante está nos prazos. Os escalões de maturidade máxima passaram de três para dois: quem tem até 35 anos pode pedir um crédito até 40 anos, e quem tem mais de 35 fica limitado a 35 anos de prazo. Antes havia um escalão intermédio dos 30 aos 35 anos com maturidade de 37 anos, que desapareceu. Para quem está agora a decidir comprar casa perto dos 35, este detalhe pode valer a diferença entre uma prestação que cabe no orçamento e uma que não cabe. |

💰 Ação do dia
(Calma, apenas para colocar na watchlist!)

💎Patrocinador

| A Freedom24 é uma plataforma que permite aceder a ações, ETFs, Obrigações e outros instrumentos financeiros em bolsas como a NASDAQ e a NYSE. |
| Há várias ferramentas para utilizar nos gráficos, informações de mercado e dados fundamentais das empresas. |
| No botão abaixo permite aceder a uma campanha limitada até dia 31/08/2026: |


Obrigado!🙏
| Quero agradecer por estares nesse lado a acompanhar o meu trabalho. |
| Deste lado cá estarei para te apoiar com os meus estudos! |
| Até uma próxima! |
| Gustavo Araújo |
Disclaimer 📌
| O conteúdo partilhado serve apenas para fins informativos e educacionais. NÃO representa qualquer tipo de aconselhamento financeiro implícito ou explícito, NEM recomendação de investimento. |
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