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Análise de Mercado

Uma semana depois do funeral, os chips ressuscitaram

O setor que enterraram na semana passada acabou de ter a melhor sessão em meses, e quem vendeu no pânico está agora a fazer contas ao arrependimento. Enquanto isso, uma guerra na décima noite consecutiva de ataques empurrou o petróleo para níveis que mexem com o teu depósito. Em Portugal, o produto de reforma “do Estado” nunca teve tantos aderentes, e é precisamente por isso que devias olhar duas vezes para os números dele. E esta noite, duas empresas abrem os livros e podem decidir a direção do mercado até ao final do verão.

Tens 5 minutos? Então vem ver o que se passou.

Uma Semana Depois do Funeral, os Chips Ressuscitaram

Sete dias. Foi o tempo que o mercado demorou a passar do pânico à ganância. Uma semana depois de os semicondutores entrarem oficialmente em bear market com $3,3 biliões apagados, o setor protagonizou terça-feira a melhor sessão em meses: o índice dos semicondutores disparou 5,2%, o Nasdaq 100 somou 1,9% e os três grandes índices americanos quebraram três sessões consecutivas de perdas, com o S&P 500 a subir 0,89% e o Dow a ganhar 0,74%. Os dip buyers, os investidores que compram nas quedas, apareceram em massa com uma convicção simples: o trade da IA ainda não morreu.

As notícias ajudaram a construir a narrativa. A Nvidia anunciou que os seus mais recentes chips já estão a caminho dos clientes, a Intel subiu com o plano de novos cortes de pessoal a poucos dias de apresentar resultados, e a Super Micro saltou no after hours ao revelar uma carteira de encomendas em crescimento. Até a Nebius entrou na festa, a disparar 19% depois de a Nvidia confirmar uma posição de 9,3% na empresa. O dinheiro que fugiu do setor durante o pânico do Kimi K3 voltou a entrar pela mesma porta, e depressa.

O mais impressionante é o pano de fundo contra o qual tudo isto aconteceu. O rally dos chips deu-se com o Brent acima dos $91, uma guerra no Golfo na décima noite consecutiva de ataques americanos e as apostas numa subida de juros da Fed em setembro a ganhar tração. Wall Street olhou para a guerra, olhou para o petróleo, olhou para as yields, e decidiu que os resultados das empresas interessavam mais. É convicção ou é teimosia, e a fronteira entre as duas costuma ser cara.

A resposta chega já esta noite. A Alphabet e a Tesla abrem a época de resultados da Big Tech depois do fecho, e o mercado vai finalmente saber se os cheques do capex em IA continuam a ser passados sem hesitar. Se a Alphabet confirmar o investimento, o ressalto dos chips ganha fundamento. Se hesitar, a semana passada foi só o primeiro capítulo.

💰 Até o Japão Voltou a Pagar Juros

Já ouviste falar que as taxas de juro no Japão estão nos níveis mais altos dos últimos 30 anos? O país que durante décadas foi sinónimo de juros zero, onde emprestar dinheiro não rendia rigorosamente nada, mudou de página. E o mercado reagiu em força: a emissão de obrigações de empresas japonesas atingiu um recorde de 16,7 biliões de ienes no último ano fiscal, com os investidores a redescobrir o rendimento fixo e a pôr em marcha um novo ciclo de fluxos de capital para a dívida.

O que isto significa na prática é que o fenómeno é global. Não é só a América a pagar juros interessantes, é o mundo inteiro a sair da era do dinheiro gratuito, e quando até o Japão volta a remunerar quem empresta, o recado para o investidor é claro: as obrigações deixaram de ser o parente pobre da carteira e voltaram a ser um ativo que compete a sério com as ações. Rendimento previsível, datas certas, e sem depender de um bom humor do mercado para entregar resultados. Quem montar a carteira agora apanha este ciclo no início, não no fim.

Além disso, este tipo de instrumento apenas se encontra disponível em algumas corretoras em Portugal, sendo a Freedom24 uma delas.

Caso tenhas interesse em criar uma conta:

Análise Técnica – Domino’s Pizza ($DPZ)

O gráfico semanal da Domino’s conta a história de uma ação que caiu quase para metade e pode ter finalmente encontrado o chão. Desde os máximos históricos, o preço desceu em escada, deixando para trás uma sequência de resistências bem definidas nos $440, $467, $500 e $540, e o movimento de queda iniciado no final de 2025 levou-o dos $440 até à zona dos $285 a $290, onde vive o suporte que já segurou o preço em 2023. Foi precisamente aí que os compradores apareceram: a semana fecha a subir 1,29%, com o mínimo nos $317 depois de testar a zona verde.

O Volume Profile do movimento de queda mostra onde está a batalha. O ponto de maior volume de toda a descida fica na zona dos $400 a $410, muito acima do preço atual, e existe um segundo bloco pesado de volume junto aos $300 a $310, construído nos últimos meses de acumulação lateral. Pelo caminho fica o gap por preencher na zona dos $360, assinalado no gráfico, que funciona como íman natural se a recuperação ganhar força. A estrutura é clara: suporte validado em baixo, gap a meio, e o grosso do volume como teto lá em cima.

Os resultados de segunda-feira trouxeram um miss no EPS e uma queda ligeira no dia, mas o comportamento semanal diz mais do que a reação imediata: falhar as estimativas e mesmo assim fechar a semana em alta, encostada ao suporte, é sinal de que o pessimismo já estava no preço. Enquanto os $285 aguentarem, o mapa aponta primeiro aos $338 e depois ao gap dos $360. Se o suporte ceder, o gráfico fica sem rede até níveis que não se viam desde 2022.

Market Snapshot


🏢 Outros destaques nos mercados

  • A Nvidia mostrou as cartas na Nebius ($NBIS): Um registo na SEC revelou que a Nvidia ($NVDA) detém 9,3% da Nebius, formalizando o investimento de $2 mil milhões anunciado em março. A ação disparou 19% na terça-feira e já quadruplicou em 12 meses, arrastando a rival CoreWeave ($CRWV), que subiu 9%. Quando a empresa que vende as pás compra parte da mina, o mercado toma nota.
  • Alguém comprou a empresa das batatas fritas ($UTZ): A Utz Brands disparou 89% num só dia depois de a alemã Intersnack anunciar a compra da fabricante de snacks por $2,9 mil milhões. Num mercado obcecado com chips de silício, o maior salto do dia pertenceu aos chips de batata.
  • A guerra que já custa $37,5 mil milhões: Os EUA completaram a décima noite consecutiva de ataques ao Irão e Trump prometeu que Teerão pagará “muitas vezes mais” por cada soldado americano morto. O Irão atacou um petroleiro em Ormuz e os Houthis declararam um embargo marítimo à Arábia Saudita. Resultado: o Brent ultrapassou os $91, a gasolina nos EUA voltou aos $4 por galão e o Pentágono já contabiliza a fatura em $37,5 mil milhões. O mercado escolheu olhar para os earnings e ignorar tudo isto. Um dos dois está a ler mal o momento.

📑 Earnings das empresas

Resultados Divulgados:

  • Domino’s Pizza ($DPZ): Receitas de $1,19 mil milhões superam ligeiramente as estimativas, mas o EPS de $4,07 falhou as previsões de $4,19, um miss de quase 3%. A ação caiu 0,80% no dia. Numa earnings season cheia de surpresas positivas, falhar no lucro é o suficiente para ficar mal na fotografia.
  • General Motors ($GM): Receitas de $48 mil milhões superam estimativas em mais de $1 mil milhões. EPS de $3,57 esmaga as previsões de $3,18, uma surpresa de +12,3%. O mercado gostou do que viu e a ação disparou 4,91%, num dos melhores dias da earnings season para o setor automóvel tradicional.

Resultados a Serem Divulgados

  • Alphabet ($GOOGL): Resultados previstos para quarta-feira, 22 de julho, após o fecho do mercado. Receitas estimadas de $116,96 mil milhões e EPS de $2,88. A ação negoceia nos $346, capitalização de $4,23 biliões. Vai ser o primeiro grande teste da Big Tech depois do abalo do Kimi K3, e o mercado quer ouvir uma coisa acima de tudo: se os milhares de milhões de capex em IA continuam a fazer sentido quando a China oferece modelos comparáveis de borla.
  • Tesla ($TSLA): Resultados previstos para quarta-feira, 22 de julho, após o fecho do mercado. Receitas estimadas de $25,99 mil milhões e EPS de $0,52. A ação negoceia nos $380, capitalização de $1,43 biliões, ainda mais de 20% abaixo do máximo das últimas 52 semanas. As entregas do trimestre já são conhecidas, 480 mil veículos, uma subida de 25% e o melhor registo em anos, mas o mercado quer saber se as margens acompanham ou se a Tesla está a vender mais carros a ganhar menos em cada um.conturbados.
  • Intel ($INTC): Resultados previstos para quinta-feira, 23 de julho, após o fecho do mercado. Receitas estimadas de $14,42 mil milhões e EPS de $0,21. A ação negoceia nos $95, capitalização de $477,67 mil milhões, depois de uma valorização de mais de 160% desde o início do ano que fez dela uma das histórias de recuperação mais improváveis do mercado. A empresa soma seis trimestres consecutivos de receitas acima do esperado e o mercado quer confirmação de que o negócio de foundry e o processo 18A continuam a ganhar tração. Numa semana em que os semicondutores entraram em bear market, a Intel joga em casa: é a única resposta americana à dependência da TSMC.
  • Exxon Mobil ($XOM): Receitas estimadas de $110,25 mil milhões e EPS de $3,66. A ação negoceia nos $147, capitalização de $610,73 mil milhões, perto de máximos. A própria empresa já avisou o mercado do que aí vem: os lucros do trimestre devem ter um impulso de cerca de $5 mil milhões face ao trimestre anterior, graças ao disparo do petróleo durante a guerra com o Irão, com os analistas a esperar $15,7 mil milhões de lucros ajustados, quase o triplo do primeiro trimestre. A guerra de Ormuz tem uma fatura, e a Exxon está do lado que recebe.

📈 Gráfico do dia

🌍 O PPR do Estado Está a Crescer. A Pergunta É Se Devia

O Fundo dos Certificados de Reforma, o chamado “PPR do Estado”, fechou o primeiro semestre com 76,3 milhões de euros sob gestão, um crescimento de 7,2% face ao final de 2025. A equipa de gestão conseguiu uma valorização de 3,63% entre janeiro e junho e o produto está claramente na moda: os aderentes ativos subiram 4,7% para 8.602 contribuintes e as subscrições líquidas de resgates dispararam 57,2% face ao ano passado, com mais de 2,45 milhões de euros a entrar em seis meses.

Até aqui, tudo bem. O problema aparece quando se estica o gráfico. Desde a sua criação em 2008, o fundo apresenta uma rendibilidade média anualizada de 2,5%, um valor que em vários destes anos nem sequer bateu a inflação. Pelo caminho apanhou 2022, quando a carteira afundou de forma violenta, provando que o selo “do Estado” não protege ninguém de um mau ano nos mercados. Para um produto pensado para construir a reforma de quem desconfia dos privados, 2,5% ao ano em quase duas décadas é um resultado difícil de vender.

O contraste faz-se sozinho: no mesmo período, qualquer exposição simples aos índices globais de ações teria multiplicado o capital várias vezes. O PPR do Estado cresce porque os portugueses querem poupar para a reforma, o que é uma excelente notícia. A escolha do veículo é que merecia mais escrutínio.

💰 Ação do dia

(Calma, apenas para colocar na watchlist!)

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Há várias ferramentas para utilizar nos gráficos, informações de mercado e dados fundamentais das empresas.

No botão abaixo permite aceder a uma campanha limitada até dia 31/08/2026:

Obrigado!🙏

Quero agradecer por estares nesse lado a acompanhar o meu trabalho.

Deste lado cá estarei para te apoiar com os meus estudos!

Até uma próxima!

Gustavo Araújo

Disclaimer 📌

O conteúdo partilhado serve apenas para fins informativos e educacionais. NÃO representa qualquer tipo de aconselhamento financeiro implícito ou explícito, NEM recomendação de investimento.

😆 Para rir um pouco…

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