A Nvidia voltou a esmagar as estimativas e mesmo assim a ação caiu, pela quinta vez seguida que isto acontece depois de resultados recorde. O PIB americano confirmou que a economia está a abrandar, no mesmo dia em que a inflação preferida da Fed veio mais teimosa do que o esperado. Em Portugal, a avaliação das casas continua a subir, mas há um número que finalmente travou o ritmo. E as yields, que há duas semanas batiam máximos de quase duas décadas, começaram esta semana a inverter a marcha.
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🚀 A Nvidia Voltou a Bater Tudo E o Mercado Voltou a Encolher os Ombros
A Nvidia acabou de apresentar os resultados mais aguardados da earnings season, e mais uma vez fez o que sempre faz: esmagou as estimativas. A receita do segundo trimestre fiscal atingiu $96,22 mil milhões, acima dos $92,17 mil milhões esperados, com o EPS ajustado nos $2,22 contra os $2,10 previstos. O crescimento continua a ser de outro planeta, com a receita a mais do que duplicar face aos $46,7 mil milhões do mesmo trimestre do ano passado, quase quatro anos depois do lançamento do ChatGPT e sem sinais de abrandamento na procura por chips de inteligência artificial. A empresa ainda deu um guidance de receitas para o próximo trimestre acima do que Wall Street esperava.
E mesmo assim, a ação recuou no after hours. Não é a primeira vez: segundo dados da Bespoke Data, a Nvidia já caiu no dia seguinte aos resultados em cada um dos últimos quatro trimestres, apesar de ter batido ou cumprido as estimativas de lucro, receita e guidance em praticamente todas essas ocasiões. Nas últimas nove sessões, a ação já tinha caído em oito, um sinal de que o mercado está cada vez mais difícil de impressionar quando se trata da empresa mais valiosa do mundo. Bater as estimativas deixou de ser suficiente, o mercado quer saber por quanto tempo mais este ritmo de crescimento é sustentável.
O contexto ajuda a explicar a exigência. A Nvidia está cada vez mais envolvida em acordos financeiros que ajudam a construir os próprios data centers que depois lhe compram chips, com Jensen Huang a falar em visibilidade de $1 bilião em vendas das arquiteturas Blackwell e Vera Rubin entre 2025 e 2027. É um nível de ambição tão grande que qualquer sinal de desaceleração, por mais pequeno que seja, é lido pelo mercado como o início do fim de um ciclo que já dura quase quatro anos.
💰 O PCE Baixou a Probabilidade de Subida. As Yields Já Reagiram
Já ouviste falar que, depois do PCE de hoje mostrar inflação anual ainda em 3,7%, a probabilidade de uma subida de juros da Fed em setembro caiu de quase 40% para 38%? Parece pouco, mas confirma um movimento que já vinha de terça-feira, quando a yield a 10 anos caiu mais de sete pontos base para 4,625%, depois de a CNBC noticiar que o Tesouro poderá usar a sua Conta Geral de 1 bilião de dólares para financiar recompras de dívida. Duas semanas depois de as yields terem batido máximos de quase duas décadas, o vento parece estar finalmente a virar.
O que isto significa na prática é que a janela de retorno elevado que se abriu em agosto pode estar a começar a fechar, ainda que lentamente. Se a Fed continuar sem margem para subir juros, por causa de um consumo que estagnou e de um crescimento que já desacelerou para 1,5% no segundo trimestre, o caminho natural das yields longas é para baixo. Isso não significa que a oportunidade desapareceu de um dia para o outro, os níveis atuais continuam historicamente elevados, mas quem está a considerar fixar retorno em dívida de longo prazo já não tem o mesmo colchão de tempo que tinha há duas semanas. As janelas destas raramente avisam quando fecham definitivamente.
Além disso, este tipo de instrumento apenas se encontra disponível em algumas corretoras em Portugal, sendo a Freedom24 uma delas.
O gráfico diário da Nvidia mostra uma ação presa há meses entre duas paredes bem definidas: uma resistência forte na zona dos $211 a $213, marcada a vermelho e testada repetidamente desde abril sem sucesso duradouro, e um suporte quase tão forte um pouco abaixo dos $200, também testado várias vezes e sempre defendido. O reajuste imediato após os resultados de hoje, com o preço a recuar para os $209,66 no after hours, mantém a ação exatamente dentro deste range, sem confirmar rutura para nenhum dos lados.
O Volume Profile do movimento de maio, o bloco cinzento mais denso do gráfico, revela onde está o verdadeiro campo de batalha: entre os $205 e os $220, com o pico de negociação junto aos $212 a $216. É precisamente essa zona que o preço voltou a testar nas últimas semanas, incluindo o pequeno gap por preencher que se formou no início de agosto, ainda visível como uma área sombreada por cima do preço atual. A trendline descendente que liga os máximos desde abril continua intacta, cruzando-se com a resistência horizontal dos $211 a $213 numa confluência que tem travado sistematicamente qualquer tentativa de recuperação mais forte.
O padrão histórico que se confirmou mais uma vez esta noite, a ação a cair no dia seguinte aos resultados apesar de bater as estimativas, reflete-se diretamente nesta estrutura lateral. Depois de quase quatro meses sem conseguir um rompimento limpo em nenhuma direção, a Nvidia parece estar a construir uma base de decisão. Um fecho sustentado acima dos $213 abriria caminho até ao máximo histórico, enquanto uma quebra abaixo dos $200 devolveria o preço à zona onde negociou em março e abril.
📊 Market Snapshot
🏢 Outros destaques nos mercados
O PCE saiu, e a Fed ficou com menos margem: A medida de inflação favorita da Fed, o índice de preços PCE de julho, subiu 0,2% no mês, em linha com o esperado. O problema esteve na leitura anual: o PCE homólogo veio nos 3,7%, acima do previsto, e o core PCE, que exclui alimentação e energia, fixou-se em 3,3% ao ano, também acima do objetivo de 2% da Fed. A reação foi imediata nos futuros: a probabilidade de uma subida de juros em setembro caiu para 38%, dos quase 40% do dia anterior. Ao mesmo tempo, os dados mostraram que os gastos dos consumidores estagnaram em julho, uma combinação pouco confortável de inflação teimosa e consumo a perder fôlego, divulgada horas antes dos resultados da Nvidia.
O PIB do segundo trimestre confirma o abrandamento: A segunda estimativa do PIB americano do segundo trimestre confirmou um crescimento anualizado de 1,5%, bem abaixo dos 2,1% do primeiro trimestre. A desaceleração refletiu sobretudo uma quebra na despesa pública e um abrandamento no investimento e nas exportações, parcialmente compensados por uma aceleração no consumo privado. O índice de preços do PIB disparou para 5,7%, acima dos 3,6% do trimestre anterior, mais um sinal de que a inflação continua a pressionar a economia, mesmo com o crescimento a perder velocidade.
📑 Earnings das empresas
Resultados Divulgados:
PDD Holdings ($PDD): A empresa-mãe da Temu apresentou uma subida de receitas de 8%, mas o resultado ficou abaixo dos $17,1 mil milhões esperados pelos analistas. O lucro líquido recuou, penalizado pelo aumento de despesas em governança da plataforma, apoio a comerciantes e logística rural, numa altura em que enfrenta concorrência de preços na China e desafios regulatórios nos mercados internacionais. Foi o primeiro teste real às margens da Temu depois do fim da isenção de minimis nos EUA, que retirou o tratamento livre de taxas às importações de baixo valor que sustentava o modelo de negócio.
Nvidia ($NVDA): Receitas de $96,22 mil milhões superam os $92,17 mil milhões esperados, com EPS ajustado de $2,22 contra os $2,10 previstos. A empresa ainda deu um guidance para o próximo trimestre acima do consenso. Mesmo assim, a ação recuou no after hours, repetindo o padrão dos últimos quatro trimestres, em que bate as estimativas e é castigada na mesma.
📈 Gráfico do dia
🇵🇹 A Casa Continua a Subir. Só Já Não Corre, Anda
A avaliação bancária das casas em Portugal continua a subir, mas o ritmo está finalmente a dar sinais de abrandar. O valor mediano atingiu 2.240 euros por metro quadrado em julho, uma subida homóloga de 15,2%, abaixo dos 16,6% registados em junho, segundo dados do INE divulgados esta quarta-feira. É a primeira desaceleração clara depois de vários meses de aceleração sucessiva, ainda que a subida em cadeia continue a acontecer, com a mediana nacional a avançar 12 euros por metro quadrado, mais 0,5% só neste mês.
O comportamento regional mostra que a subida continua generalizada, sem uma única região a registar descida homóloga. O Alentejo foi a região com o maior crescimento mensal, 1,3%, enquanto os Açores tiveram a única descida em cadeia, 1,9%. Já em termos homólogos, é a Península de Setúbal que lidera com uma subida de 20,4% num ano, um dos ritmos mais elevados do país.
A diferença entre tipologias continua a marcar o mercado. Os apartamentos atingiram 2.627 euros por metro quadrado, mais 16,5% num ano, com a Grande Lisboa a manter-se no topo com 3.469 euros, seguida do Algarve com 3.010 euros. As moradias ficaram nos 1.606 euros, uma subida homóloga de 13,6%, mais moderada que a dos apartamentos, mas ainda assim expressiva. Curiosamente, foi outra vez o Alentejo a região onde os apartamentos mais valorizaram em termos homólogos, 25,3%, prova de que o boom já não está confinado às grandes cidades.
💰 Ação do dia
(Calma, apenas para colocar na watchlist!)
💎Patrocinador
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Obrigado!🙏
Quero agradecer por estares nesse lado a acompanhar o meu trabalho.
Deste lado cá estarei para te apoiar com os meus estudos!
Até uma próxima!
Gustavo Araújo
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