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Análise de Mercado

📉 A Fed reescreveu as próprias regras numa única conferência e o Estreito de Ormuz voltou a fechar três dias depois de reabrir.

Fed pausou as taxas mas o novo presidente reescreveu as regras do jogo numa única conferência de imprensa. O acordo de paz que parecia histórico durou exatamente três dias antes do Estreito de Ormuz fechar outra vez. E um Prémio Nobel quer cobrar às empresas de IA pelo que elas bebem em silêncio nos desertos americanos.
Tens 5 minutos? Então vem ver o que se passou.

🏦 A Primeira Reunião da Era Warsh. E Não Foi Rotineira.

O Fed manteve as taxas no intervalo de 3,5% a 3,75% pela quarta reunião consecutiva, numa decisão unânime de 12 a 0. À primeira vista parece uma pausa de rotina. Não é. É a reunião mais relevante em muito tempo, e o que importa não está no número que ficou igual, está em tudo o resto que mudou.
As projeções contam a história mais incómoda. A previsão de PCE para 2026 saltou de 2,7% para 3,6% numa só reunião, quase um ponto percentual desde março. O Core PCE subiu de 2,7% para 3,3%. Em simultâneo, o Fed cortou a previsão de PIB de 2,4% para 2,2% e abandonou a expectativa de regressar à meta dos 2% antes de 2028. Inflação mais alta, crescimento mais fraco. É exatamente o perfil que nenhum banco central quer ver.
dot plot é francamente hawkish. Nove dos 18 participantes esperam pelo menos uma subida ainda este ano, seis desses nove apontam para duas ou mais. Apenas um prevê um corte. A mediana da taxa para o fim de 2026 subiu de 3,4% para 3,8%. Mas a contradição central desta reunião é precisamente esta: se o Fed acredita mesmo num PCE de 3,6%, a resposta ortodoxa era subir já. Em vez disso, manteve a pausa e classificou a inflação como choque de oferta transitório ligado à energia e ao Médio Oriente. É a mesma aposta transitória que correu muito mal em 2021.

O verdadeiro filão desta reunião não está nos números, está em Kevin Warsh. O comunicado foi totalmente reescrito, é o mais curto desde a era Greenspan e eliminou a forward guidance por completo. Warsh recusou participar no dot plot e anunciou cinco task forces independentes para propor mudanças ao SEP e à comunicação do Fed. A sua síntese foi direta: “Fizemos algumas mudanças hoje. Espero mais mudanças para vir.” Um presidente que desmonta peças de infraestrutura com mais de uma década não está a ajustar a política monetária. Está a mudar o regime.

Próximos Eventos:

  • PIB EUA Q1 2026, Estimativa Final (quinta-feira, 13h30 Lisboa): A estimativa final do PIB do primeiro trimestre é esperada em +1,6% anualizado, em linha com a segunda estimativa. O GDP Price Index, o deflator implícito do PIB, está previsto em +3,5%, o que confirma que o crescimento que existiu foi acompanhado de pressão de preços considerável. Com a Fed a rever as suas projeções de crescimento em baixa para 2,2%, este número dá contexto ao cenário de stagflação que o mercado começa a precificar.
  • PCE de maio (quinta-feira, 13h30 Lisboa): O indicador favorito da Fed chega dias depois da primeira reunião da era Warsh. O headline PCE está previsto em +0,4% no mês e +4,0% em termos anuais. O core PCE, que é o que a Fed segue mais de perto, está previsto em +0,2%. Com o Fed a projetar um PCE de 3,6% para 2026 inteiro, um número acima do esperado vai alimentar a narrativa de subida de juros ainda este ano.
  • Durable Goods Orders de maio (quinta-feira, 13h30 Lisboa): As encomendas de bens duradouros estão previstas em -3,2% depois de uma queda de 4,7% em abril. Excluindo transportes, a previsão é de +0,6%. É o indicador que melhor captura o investimento empresarial em tempo real. Uma surpresa negativa aqui, combinada com PCE quente, fecha o argumento da stagflação.

📊 Análise Técnica – FedEx Corporation ($FDX)

O gráfico mensal da FedEx mostra uma das recuperações mais expressivas do mercado americano nos últimos 18 meses. Depois de tocar mínimos na zona dos $140 em meados de 2024, a ação disparou verticalmente para os $345, praticamente duplicando em pouco mais de um ano. O movimento foi tão rápido que deixou para trás um FVG Mensal bem visível entre os $260 e os $275, uma lacuna de desequilíbrio que representa a zona onde a ação acelerou sem consolidar e que tende a ser revisitada.
A estrutura de Fibonacci desenhada no gráfico, com origem no mínimo de 2024, coloca o preço atual precisamente na zona do retrace de 38,2% em $335, que está agora a funcionar como a primeira resistência relevante após o impulso. Os níveis seguintes a vigiar em caso de continuação são o 50% em $354 e o 61,8% em $375, enquanto o suporte imediato mais relevante continua a ser o FVG Mensal na zona dos $260 a $275.
A EMA de longo prazo (linha verde) está muito abaixo do preço atual nos $159, o que confirma a magnitude da recuperação mas também ilustra o quão estendido o movimento está em termos históricos. A ação nunca esteve tão distante da sua média de longo prazo, o que não é sinal de inversão imediata mas indica que qualquer correção tem espaço considerável para se desenvolver antes de encontrar suporte estrutural.

📊 Market Snapshot

🏢 Outros destaques nos mercados

  • Acordo que Durou Três Dias: A 17 de junho, Trump assinou o Memorando de Entendimento com o Irão no Palácio de Versalhes, após o G7, e a 18 de junho o bloqueio naval americano aos portos iranianos foi levantado. Pareceu um momento histórico, mas durou pouco. A 20 de junho, o Irão anunciou o fecho do Estreito de Ormuz, citando as violações israelitas do cessar-fogo no Líbano e o incumprimento americano da primeira cláusula do acordo, que exigia a cessação imediata de operações militares em todas as frentes. Os EUA negaram o controlo iraniano sobre o Estreito e garantiram que o tráfego continuaria a fluir, enquanto as delegações de Washington e Teerão se reuniam em Genebra para as primeiras conversações desde a assinatura do memorando.

📑 Earnings das empresas

Resultados a serem divulgados:

  • FedEx ($FDX) – Resultados previstos para terça-feira, 23 de junho, após fecho de mercado. EPS estimado de $5,92 com receitas esperadas de $24,01 mil milhões. A ação negoceia nos $326, com capitalização de $77,8 mil milhões. O mercado vai estar atento ao impacto das tarifas nos volumes de transporte internacional e ao progresso do programa de corte de custos DRIVE, que tem sido o principal catalisador da ação nos últimos trimestres.
  • Micron ($MU) – Resultados previstos para quarta-feira, 24 de junho, após fecho de mercado. EPS estimado de $19,92 com receitas esperadas de $34,66 mil milhões. A ação disparou para os $1.134, capitalização de $1,28 biliões. Depois da entrada no clube do bilião em maio e do upgrade histórico da UBS, as expectativas estão nas nuvens. O mercado quer confirmação de que a procura de memória HBM para IA continua esgotada e que as margens se mantêm nos 75%. Bater estimativas já não chega, o guidance tem de impressionar.

📈 Gráfico do dia

🚩O Nobel que Quer Taxar a IA pelo que Bebe.

Abhijit Banerjee, Prémio Nobel da Economia de 2019, defendeu a necessidade de taxar os recursos utilizados pela Inteligência Artificial, nomeadamente a água consumida pelos centros de dados, à semelhança do que já existe com as emissões de carbono. “O projeto da inteligência artificial gerou tanto entusiasmo que não conseguimos pensar em todas as consequências”, disse em entrevista à Lusa, defendendo que “em algum ponto é preciso pensar em como taxar o gasto na IA.”
O argumento tem substância. A geração de 10 a 50 respostas em texto por uma ferramenta de IA generativa requer cerca de meio litro de água, segundo um estudo da Universidade da Califórnia, e a geração de imagens consome ainda mais energia e consequentemente mais água. Os centros de dados estão a ser construídos em locais inesperados, muitas vezes em zonas secas onde a água é um recurso escasso e a regulação mais frouxa, o que Banerjee considera uma avaliação errada de preços que o mercado não está a corrigir sozinho.
A proposta é simples na lógica: se existe uma taxa de carbono para internalizar os custos ambientais das emissões, um modelo semelhante poderia ser aplicado à água consumida pela IA. Banerjee reconhece que o entusiasmo em torno da tecnologia impediu esta conversa de acontecer mais cedo, mas considera que já não é possível adiar, especialmente tendo em conta o impacto que a IA vai ter no mercado laboral e o custo que o Estado vai ter de suportar para compensar os trabalhadores deslocados.

💰 Ação do dia

(Calma, apenas para colocar na watchlist!)

💬 Diplomacia com Três Pontos de Exclamação

O memorando de paz foi assinado a 17 de junho em Versalhes. A 21 de junho, com o Estreito de Ormuz fechado outra vez e as conversações em Genebra suspensas, Trump publicou o resumo da sua política externa em duas frases: o Irão tem de parar os seus proxies no Líbano, caso contrário “vamos bater no Irão muito mais forte do que na semana passada, só que mais forte!!!”O mesmo presidente que assinou um memorando de paz três dias antes está agora a ameaçar novos ataques militares. Os negociadores em Genebra, que tentam fechar um acordo palavra a palavra, ficaram a saber pela mesma altura que toda a gente.

💎Patrocinador

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Obrigado!🙏

Quero agradecer por estares nesse lado a acompanhar o meu trabalho.
Deste lado cá estarei para te apoiar com os meus estudos!
Até uma próxima!
Gustavo Araújo

Disclaimer 📌

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😆 Para rir um pouco…

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