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Análise de Mercado

O S&P 500 furou os 7.800 pela primeira vez na história.

Zona Euro cresceu, mas os EUA cresceram o dobro, e Portugal, que parecia estar no pódio europeu, afinal ficou fora dele depois da revisão dos números finais. Um dado de inflação saiu exatamente como esperado e mesmo assim as yields não abrandaram, por um motivo que não tem nada a ver com a economia americana. E há uma marca de calçado que passou dois anos inteiros a cair sem parar e finalmente travou a queda com um único trimestre de resultados.
Tens 5 minutos? Então vem ver o que se passou.

🏆 O S&P 500 Chegou aos 7.800. E Depois a Economia Lembrou-lhe Porque É Que Isso É Estranho

Quinta-feira foi de festa pura em Wall Street. O S&P 500 ultrapassou pela primeira vez na história os 7.800 pontos, a subir 0,7%, depois de o PPI de julho mostrar preços grossistas 4,7% mais altos do que há um ano, mais dolorosos do que qualquer um gostaria, mas claramente melhor do que os 5,5% de junho e ligeiramente abaixo do esperado. O Dow somou 0,24%, o Nasdaq 0,23% e o Russell 2000 disparou 0,61%, com o petróleo também a aliviar no seu vaivém mais recente. Foi o segundo recorde histórico em duas semanas, depois de o CPI já ter dado o mesmo alívio na quarta.
A sexta-feira trouxe o contraponto que faltava. As ações recuaram do recorde depois de o consumo, o motor principal da economia americana, mostrar sinais claros de arrefecimento: tanto a confiança do consumidor como as vendas a retalho vieram abaixo do esperado. A ironia é cruel mas conhecida: dados fracos aliviam o receio de uma subida de juros em setembro, mas não são de todo boa notícia para as empresas cujos lucros dependem de gente a gastar dinheiro. O S&P 500 perdeu 0,2% no dia, mas ainda assim fechou a terceira semana consecutiva de ganhos, a série mais longa desde maio, com o Russell 2000 a marcar um novo recorde a fechar a semana. Mesmo com os dados dececionantes, as obrigações caíram e o petróleo subiu, depois de os EUA ameaçarem impor novas medidas económicas ao Irão.
padrão desta semana resume o verão inteiro do mercado: sobe com dados fracos porque isso adia a Fed, sobe com dados fortes porque confirma a economia, e a única coisa que parece travar a festa por mais de um dia é a geopolítica a voltar a bater à porta. Depois de três semanas seguidas de ganhos e dois recordes históricos em sete dias, a pergunta de sempre regressa: quanto tempo aguenta um mercado que celebra praticamente tudo?

💰 Dados Fracos, Yields a Subir. A Contradição Que Vale a Pena Perceber

Já ouviste falar que, na sexta-feira, as vendas a retalho e a confiança do consumidor vieram ambas abaixo do esperado, e mesmo assim as obrigações do Tesouro caíram, empurrando as yields para cima? Numa lógica normal, dados económicos fracos deviam fazer subir o preço das obrigações e descer as yields, porque sinalizam menos necessidade de juros altos. Aqui aconteceu o oposto, porque o petróleo voltou a subir depois de os EUA ameaçarem impor novas medidas económicas ao Irão. Mais uma vez, a geopolítica sobrepôs-se à economia doméstica na decisão de quanto custa o dinheiro.
O que isto significa na prática é que continuamos numa fase em que o prémio nas yields longas não reflete sobreaquecimento nem inflação estrutural, reflete uma guerra sem fim à vista. Isso cria uma oportunidade pouco habitual: normalmente, para conseguir um retorno elevado em dívida soberana americana é preciso que a economia esteja mesmo aquecida, o que acarreta o risco de a Fed ter de intervir com força. Desta vez, a economia dá sinais de abrandamento, mas as yields mantêm-se elevadas por um motivo externo e potencialmente temporário. Se a tensão no Golfo aliviar, mesmo que gradualmente, o desconto de hoje tende a desaparecer com a mesma rapidez com que apareceu.
Além disso, este tipo de instrumento apenas se encontra disponível em algumas corretoras em Portugal, sendo a Freedom24 uma delas.
Caso tenhas interesse em criar uma conta:

📊 Análise Técnica – Birkenstock ($BIRK)

O gráfico semanal da Birkenstock mostra uma tendência de queda que dura desde o máximo histórico de $64,78, contida dentro de um canal descendente quase perfeito ao longo de dois anos. A grande reviravolta aconteceu recentemente: o preço tocou o mínimo absoluto nos $34,12, precisamente na base do canal, e reagiu com um candle de disparo que rompeu a linha superior do canal, o primeiro rompimento estrutural desde que a tendência de queda começou em meados de 2024.
A estrutura de Fibonacci traçada entre o mínimo recente e o máximo histórico dá o mapa da recuperação. O preço já superou os 50% nos $47,95 numa reação inicial forte, mas corrigiu desde então e está agora a consolidar nos $39, uma zona que fica bem abaixo desse nível, sinal de que a força inicial do rompimento perdeu algum fôlego. Acima, os próximos níveis a testar são os 62% ($51,99), os 70,5% ($54,85) e os 79% ($57,71), este último já perto da zona onde o preço passou boa parte de 2025 a negociar antes do colapso final.
O contexto fundamental ajuda a explicar o timing: os resultados desta semana vieram acima do esperado, com a empresa a subir o guidance para o topo da previsão anterior, o gatilho que travou dois anos de queda ininterrupta. Romper a trendline depois de tocar num mínimo histórico é o primeiro sinal técnico de que o pior pode ter ficado para trás, mas a consolidação atual bem abaixo dos 50% de Fibonacci mostra que o mercado ainda não está totalmente convencido.

📊 Market Snapshot

🏢 Outros destaques nos mercados

  • A Casa Branca em tribunal por causa da Truth Social: A Truth API, lançada a 1 de agosto, está a ser processada pela Casa Branca depois de senadores democratas terem pedido à SEC que investigasse se o serviço compromete a integridade dos mercados financeiros, beneficiando Wall Street, insiders ricos e o próprio Trump. O processo tenta bloquear que a Casa Branca publique anúncios oficiais exclusivamente na Truth Social enquanto o feed pago existir. Trump usa a plataforma há anos para anunciar decisões capazes de mover ações, petróleo e outros ativos, incluindo tarifas e desenvolvimentos no Médio Oriente.
  • O ouro voltou a subir, discretamente: Enquanto as ações oscilavam entre recordes e correções, o ouro somou mais um dia de ganhos, negociando acima dos $4.437 por onça. Num verão marcado por dados económicos contraditórios e uma guerra por resolver, o metal continua a fazer o trabalho que sempre fez, absorver a incerteza que as ações preferem ignorar.
  • A pequena capitalização finalmente teve o seu momento: O Russell 2000, o índice das empresas mais pequenas dos EUA, fechou a semana em máximo histórico, depois de meses a ficar para trás das gigantes tecnológicas. Com a Fed a dar sinais de que pode manter os juros parados, as empresas mais dependentes de financiamento barato começaram finalmente a recuperar terreno..

📑 Earnings das empresas

Resultados Divulgados:

  • Birkenstock ($BIRK): Receitas e EBITDA ajustado superaram as estimativas, e a empresa subiu o guidance de receitas e EBITDA ajustado para o topo da previsão anterior. A ação disparou 10% no dia, prova de que o mercado valoriza tanto o resultado como a confiança que a empresa deposita no resto do ano.
  • Yeti ($YETI): EPS ajustado de $0,67 superou os $0,54 esperados, e as receitas de $483,9 milhões vieram ligeiramente acima do previsto. Ainda assim, a ação caiu quase 4%, num resultado misto onde bater as estimativas não chegou para convencer o mercado.

📈 Gráfico do dia

🚩Portugal Cresce Bem Mas Já Não é o Melhor da Turma

O Eurostat confirmou esta sexta-feira o que a estimativa rápida já tinha avançado: a economia da Zona Euro cresceu 1% no segundo trimestre, em termos homólogos, uma aceleração de 0,5 pontos percentuais face ao trimestre anterior. Na União Europeia, o crescimento foi de 1,2%. Em cadeia, o PIB da Zona Euro avançou 0,4% e o da UE 0,5%, apesar do impacto da guerra no Médio Oriente. Ainda assim, o bloco continua atrás dos Estados Unidos, cuja economia cresceu 2,1% homólogos no mesmo período, mais do dobro da média europeia.
Portugal continua a crescer acima da média europeia, mas a fasquia subiu. Comparando com o mesmo trimestre do ano passado, a economia portuguesa avançou 2,5%, um número sólido que, na estimativa preliminar de julho, colocava o país no terceiro lugar do ranking europeu. Com os dados finais confirmados, a fotografia mudou: sete Estados-membros ultrapassaram agora Portugal, com a Eslovénia a liderar disparada com 4,8%, seguida da Lituânia (3,8%), Polónia (3,7%), Chipre (3,3%), Suécia (2,8%) e Bulgária e Espanha, ambas com 2,7%.
Na comparação em cadeia, face ao primeiro trimestre, Portugal cresceu 0,8%, acima da média da Zona Euro e da UE, mas ainda atrás da Irlanda (3,9%), da Lituânia e da Eslovénia (ambas acima de 1,7%) e da Suécia. O quadro geral não muda: a economia portuguesa continua a crescer de forma consistente e acima da média europeia, mas o pódio das economias mais dinâmicas do continente já não tem Portugal entre os três primeiros lugares.

💰 Ação do dia

(Calma, apenas para colocar na watchlist!)

💎Patrocinador

Freedom24 é uma plataforma que permite aceder a ações, ETFs, Obrigações e outros instrumentos financeiros em bolsas como a NASDAQ e a NYSE.
Há várias ferramentas para utilizar nos gráficos, informações de mercado e dados fundamentais das empresas.
No botão abaixo permite aceder a uma campanha limitada até dia 31/08/2026:

Obrigado!🙏

Quero agradecer por estares nesse lado a acompanhar o meu trabalho.
Deste lado cá estarei para te apoiar com os meus estudos!
Até uma próxima!
Gustavo Araújo

Disclaimer 📌

O conteúdo partilhado serve apenas para fins informativos e educacionais. NÃO representa qualquer tipo de aconselhamento financeiro implícito ou explícito, NEM recomendação de investimento

😆 Para rir um pouco…

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