💾 A Empresa que Ninguém Esperava no Clube do Bilião
Cardas Capital··7 min
Os EUA e o Irão estão mais perto de um acordo de paz do que em qualquer momento dos últimos meses, e os mercados já estão a precificar isso. A Micron entrou no clube do bilião numa única sessão. A Ferrari lançou o carro mais caro da sua história e os investidores fugiram. E Trump lembrou ao mundo, em maiúsculas, que foi ele quem salvou a cripto.
🕊️ A Paz que Ainda Ninguém Assinou
As negociações entre os EUA e o Irão entraram na fase mais crítica da semana. As duas partes aproximam-se de um acordo para transformar o cessar-fogo existente numa paz duradoura, com conversações intensas em Doha entre delegações iranianas e mediadores do Qatar. Os mercados subiram com as notícias, o petróleo recuou e o Estreito de Ormuz voltou a deixar passar navios, com a Guarda Revolucionária Iraniana a confirmar que 25 embarcações, incluindo petroleiros, atravessaram o Estreito durante um dia com coordenação da sua marinha.
O problema é que o diabo está nos detalhes, e os detalhes estão longe de fechados. Os principais pontos de discórdia são a reabertura permanente do Estreito de Ormuz, o stock de urânio altamente enriquecido do Irão e biliões em ativos congelados. Teerão diz que o rascunho do acordo prevê a retirada das forças americanas, Washington diz que isso é uma invenção. O Secretário de Estado Marco Rubio resumiu a situação com uma frase que diz tudo: há “desacordos sobre uma palavra, uma frase.”
A janela para um acordo existe e é real. Um cessar-fogo permanente com reabertura do Estreito seria o maior catalisador desinflacionário de 2026, eliminando de imediato a principal pressão sobre o petróleo, a energia e os preços ao produtor. Mas um acordo negociado por tweet, com desacordos sobre palavras individuais e um presidente que celebra vitórias militares enquanto fala de paz, é um acordo frágil mesmo antes de ser assinado.
Próximos Eventos:
PIB EUA Q1 2026, Segunda Estimativa: A primeira estimativa mostrou um crescimento de +2,0% anualizado, acima dos 0,5% do trimestre anterior mas abaixo dos 2,3% esperados. A segunda estimativa inclui dados de lucros corporativos e tende a ser mais reveladora sobre a qualidade do crescimento. O detalhe a vigiar: grande parte do crescimento veio de despesa militar ligada ao Irão e da recuperação do governo após o shutdown. A economia privada cresceu muito menos do que o headline sugere.
PCE de abril 2026: O indicador de inflação preferido da Fed. O PCE headline está previsto subir +0,53% em abril, com o core a avançar +0,30%, e a taxa anual a chegar aos 3,9%, o nível mais alto desde 2023. Com o CPI e o PPI já a surpreenderem em alta, o PCE pode confirmar que a inflação está a acelerar estruturalmente. A maioria dos traders de obrigações já desconta que a Fed mantém taxas em junho, com crescente probabilidade de uma subida antes do final de 2026.
O gráfico diário da Micron conta uma história de aceleração progressiva que culminou numa vela de impacto sem precedentes. A ação saiu de $100 em agosto de 2025 para quase $1.000 em maio de 2026, uma subida de quase 900% em menos de um ano. A EMA 100 em $487 está tão distante do preço atual que já nem funciona como referência de curto prazo, serve apenas para ilustrar a magnitude do movimento.
O spike do dia 26 de maio é visualmente impossível de ignorar: uma vela com mínimo nos $888 e máximo nos $956, disparada pelo upgrade da UBS para $1.625. O que chama a atenção tecnicamente é que a ação não fechou no máximo do dia, sinalizando alguma pressão vendedora a testar a convicção dos compradores nos $900. O mercado estava a digerir a notícia em tempo real.
O RSI em 76,45 está em território de sobrecompra, com a média móvel do RSI nos 72,74 e ambas a apontar para cima. É o nível mais alto do RSI nos últimos doze meses, o que historicamente precede períodos de consolidação. Não é sinal de inversão obrigatória, mas é sinal de que entrar agora implica aceitar que parte do movimento já aconteceu.
📊 Market Snapshot
🏢 Outros destaques nos mercados
Micron ($MU) entra no clube do bilião: A Micron Technology disparou +19% a 26 de maio, ultrapassando pela primeira vez uma capitalização bolsista de 1 bilião de dólares. O catalisador foi a UBS a mais do que triplicar o preço-alvo para $1.625, citando a procura de memória HBM para IA totalmente esgotada, receitas record de $23,86 mil milhões no Q2 2026 com crescimento de +196% em termos anuais e margens brutas de 75%. A Nvidia fez o mundo querer GPUs. A Micron faz a memória que os GPUs precisam para funcionar. O mercado demorou a perceber, mas percebeu.
Ferrari lança primeiro EV e a ação cai: A Ferrari apresentou o seu primeiro veículo elétrico, o Luce, com um preço de cerca de $640.000, e as ações caíram 3% em pré-mercado. Os fãs não perdoaram: para muitos, o motor de combustão é a alma da marca, e um Ferrari elétrico é uma contradição nos termos. Produto de luxo a $640k com receção de produto de luxo a $0.
S&P 500 e Nasdaq em máximos históricos: A 26 de maio, o S&P 500 subiu +0,61% para 7.519 e o Nasdaq avançou +1,19% para 26.656, ambos em novos máximos históricos, liderados pela tecnologia e pelas esperanças de acordo com o Irão. O Dow Jones ficou de fora da festa, a ceder 0,23%, com energia e saúde a pesar. Dois índices em máximos, um a cair: o mercado sabe exatamente o que quer comprar e o que não quer.
📑 Earnings das empresas
Resultados a serem divulgados:
Broadcom ($AVGO) – Resultados previstos para 2 de junho de 2026. EPS estimado de $2,39 com receitas esperadas de $22,04 mil milhões. A ação negoceia nos $414, com uma capitalização bolsista de $1,96 biliões. Com o ciclo de IA a plena velocidade e a Broadcom a ser um dos principais fornecedores de chips personalizados para os hyperscalers, os olhos estarão no guidance e na evolução da divisão de semicondutores de IA.
📈 Gráfico do dia
🚩O Cabaz Desce, Mas a Conta do Ano Não Perdoa
Boas notícias para quem foi às compras esta semana: o cabaz alimentar monitorizado pela Deco Proteste baixou 1,50 euros para 257,33 euros, a terceira semana consecutiva de descida em 2026. É o tipo de notícia que soa bem até se olhar para o contexto completo.
O contexto completo é este: desde o início do ano, o mesmo cabaz acumula uma subida de 15,51 euros. E há um ano, os mesmos 63 produtos custavam menos 18,06 euros, uma diferença de 7,55%. Três semanas a descer não apagam meses a subir, e o poder de compra das famílias portuguesas continua a sentir o peso de uma inflação alimentar que teima em não regressar aos níveis pré-guerra.
Na desagregação semanal, os cereais integrais dispararam +18% para 4,10 euros, o carapau subiu +11% para 6,34 euros e a alface frisada avançou +10% para 2,56 euros. Produtos básicos, presentes em qualquer cesto de compras, a subir dois dígitos numa só semana.
💰 Ação do dia
(Calma, apenas para colocar na watchlist!)
💬Humildade é Sobrevaliada
Num dia em que o Senado debatia legislação de stablecoins da qual a família Trump beneficia diretamente, o presidente achou por bem lembrar ao mundo que foi ele quem salvou a cripto. Gary Gensler era o vilão, a América é agora a capital mundial dos ativos digitais e “TRUMP” nunca vai deixar a cripto ficar mal. O post veio assinado com nome completo e cargo, por precaução.O Bitcoin estava nos $74.000 quando o post saiu. Não é conflito de interesses. É liderança visionária. Pelo menos é o que diz o próprio, em maiúsculas.
💎Patrocinador
A Freedom24 apoia o projeto e é o patrocinador oficial das newsletters.
A Freedom24 é uma plataforma que permite aceder a ações, ETFs e outros instrumentos financeiros em bolsas como a NASDAQ e a NYSE.
Há várias ferramentas para utilizar nos gráficos, informações de mercado e dados fundamentais das empresas.
No botão abaixo permite aceder a uma campanha limitada até dia 30/06/2026:
Obrigado!🙏
Quero agradecer por estares nesse lado a acompanhar o meu trabalho.
Deste lado cá estarei para te apoiar com os meus estudos!
Até uma próxima!
Gustavo Araújo
Disclaimer 📌
O conteúdo partilhado serve apenas para fins informativos e educacionais. NÃO representa qualquer tipo de aconselhamento financeiro implícito ou explícito, NEM recomendação de investimento.