Growth e value são os dois estilos clássicos de seleção de ações, e a diferença entre eles não é só académica — leva a carteiras com comportamento muito diferente, sobretudo em períodos de subida ou descida acentuada do mercado. Perceber a diferença ajuda-te a escolher (ou a combinar) com mais intenção.
Value investing: comprar abaixo do valor real
A abordagem de valor procura empresas cujo preço de mercado está abaixo do valor intrínseco estimado — frequentemente empresas maduras, com lucros estáveis, mas temporariamente fora de favor do mercado. Os indicadores mais usados incluem P/E baixo, P/B baixo e dividend yield acima da média do setor.
O risco do value investing é a “armadilha de valor” (value trap): uma ação pode parecer barata segundo os múltiplos, mas estar barata por um motivo real e duradouro — um negócio em declínio estrutural, não uma subavaliação temporária. Múltiplos baixos, por si só, não distinguem entre as duas situações.
Growth investing: pagar mais por crescimento futuro
A abordagem de crescimento procura empresas com taxas de crescimento de receita e lucro acima da média, mesmo que isso signifique pagar múltiplos mais elevados pelo preço atual. A aposta é que o crescimento futuro justifica o preço presente, e que a empresa continuará a crescer mais depressa do que o mercado em geral.
O risco do growth investing é pagar por expectativas que não se concretizam — se o crescimento abrandar abaixo do que o preço já refletia, a queda pode ser acentuada, porque grande parte do valor estava dependente de um futuro específico, não do presente da empresa.
GARP: um meio-termo com nome próprio
GARP (Growth At a Reasonable Price) tenta capturar o melhor dos dois: procura empresas em crescimento, mas sem pagar múltiplos excessivos por esse crescimento. Um indicador comum nesta abordagem é o rácio PEG (P/E a dividir pela taxa de crescimento de lucros esperada) — um PEG próximo ou abaixo de 1 sugere que o preço está razoavelmente alinhado com o crescimento esperado, em vez de esticado.
Qual escolher
- Value tende a comportar-se melhor em mercados laterais ou em subida de taxas de juro, e costuma pagar dividendos mais consistentes.
- Growth tende a sobressair em períodos de crescimento económico forte e taxas de juro baixas, mas é mais volátil quando as condições mudam.
- GARP procura suavizar essa oscilação entre os dois extremos, ao custo de exigir mais análise para encontrar candidatas que cumpram ambos os critérios.
Nenhum dos três estilos é permanentemente superior — cada um tem períodos em que tem melhor desempenho relativo do que os outros, de forma imprevisível de antemão. Muitos investidores de longo prazo combinam elementos dos dois estilos numa carteira diversificada, através de ETFs específicos de cada fator, em vez de apostarem tudo num único estilo.
Depois de definires o estilo (ou combinação de estilos) que faz sentido para ti, precisas de uma corretora com acesso às bolsas onde essas empresas são negociadas. A Freedom24 dá acesso a múltiplos mercados internacionais a partir de uma única conta.
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