Como gerar um retorno superior ao retorno do mercado (beat the market)?

Caro leitor, bem-vindo à primeira edição destes artigos semanais publicados no Lucrar.pt. Estes artigos seguem os valores do projeto Lucrar.pt e adotam, como tal, o humilde objetivo de procurar ensinar algo novo aos leitores, para que o tempo investido na leitura destes curtos artigos e análises, seja recompensado. Como iremos mencionar muitas vezes nesta e em edições futuras, tempo é dinheiro, e o conhecimento é o melhor instrumento legal e sustentável de gerar riqueza. O nosso cérebro tem muito mais capacidade que os nossos músculos.

O tema dos artigos é aberto, mas iremos focar-nos nos temas que acreditamos estarem direcionados para o que os nossos leitores nos procuram: finanças, economia, investimentos, dinheiro, mercados, fiscalidade e temas auxiliares a estes.

Como gerar um retorno superior ao retorno do mercado (beat the market)?

A resposta a esta, não tão simples, pergunta está na génese e origem da indústria trilionária de Gestão de Ativos. Curiosamente, neste caso, a galinha precede o ovo, e a indústria de gestão ativa de fundos de investimento (mutual funds) nasceu largos séculos antes do conceito do “retorno do mercado”. Pensemos na versão arcaica dos “banqueiros” da Mesopotâmia, dos quais a arqueologia nos mostra tábuas em que foram registados empréstimos, o seu valor nominal e as taxas de juro que se aplicavam. Em tempos mais modernos, antes de Wall Street, os banqueiros de Amsterdão, Génova, Veneza (e até Lisboa!) já agrupavam, geriam e investiam grandes somas de depósitos de comerciantes, burgueses e nobres geograficamente dispersos.

O conceito de “retorno de mercado”, como comumente o conhecemos hoje, nasce com a State Street, Jack Bogle e Vanguard. Frequentemente, olhamos ao retorno gerado por um índice acionista mainstream, tal como o S&P500, Nasdaq100, Stoxx600, CAC40, e proferimos algo do género: “O mercado acionista americano em 2024 está a subir 20%.” Wow. Será possível fazer melhor do que isto?

Como um dos meus professores de Finanças sempre me ensinou, a resposta é: Depende. Analisemos com maior detalhe a constituição do S&P500. Este é um índice constituído pelas 500 maiores empresas listadas na bolsa de Nova Iorque, que cumprem alguns critérios de percentagem de capital disperso em bolsa (float), volume de negociação, rentabilidade contabilística positiva, entre outros. O pormenor mais importante da metodologia deste índice é que aplica o capital recebido por ordem de empresas mais valiosas (market cap weighting). Por que é que isto não é necessariamente o melhor para os investidores?

Neste momento, as 5 maiores empresas deste índice (Apple, Nvidia, Microsoft, Amazon, Alphabet, Tesla) representam uma capitalização bolsista total de quase $15 biliões (“triliões” segundo a conotação americana), o que representa cerca de 27% do índice. Os resultados e a volatilidade destas empresas, que se encontram atualmente neste ranking por terem sido fenomenalmente bem-sucedidas no passado, importam desmesuradamente mais para a performance geral do índice do que a performance das restantes 495. A isto chamamos risco de concentração.

Se eu afirmar que uma regra amiga de qualquer investidor bem-sucedido é “comprar barato e vender caro”, o caro leitor discordaria? Pois bem, atendendo a várias métricas de avaliação (mais sobre isto em artigos futuros), estas 5 mega-empresas encontram-se aproximadamente 35% mais caras do que a média das restantes 495. Não obstante, cada euro/dólar investido neste índice é automaticamente direcionado desproporcionalmente para este grupo.

Será possível fazer melhor do que isto? Sim. Índices que alocam o dinheiro recebido em função da “pegada económica” dos seus constituintes ou índices que alocam o dinheiro recebido em percentagens iguais.

Na próxima semana, continuaremos nesta nossa análise e na procura do santo graal da indústria de gestão ativa de fundos.

João Feliciano Martins

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