Atualizado a 30 de agosto de 2026
A Euribor voltou a subir, mas os Certificados de Aforro chegaram ao teto legal de 2,5% em setembro e deixam de a acompanhar. Quem quiser mais do que isso tem de escolher entre depósitos com prazo fixo, obrigações ou mercado. E a pergunta útil não é qual rende mais: é para quando precisas do dinheiro.
O que mudou este mês
Durante quase dois anos, a resposta fácil em Portugal foi Certificados de Aforro. Rendiam mais do que quase todos os depósitos, não tinham comissões e o risco era o do Estado português. Em setembro de 2026 essa resposta deixa de ser automática, por um motivo simples: a taxa base bateu no limite.
Euribor 3 meses
2,573%
30 ago 2026
Euribor 12 meses
2,981%
30 ago 2026
Certificados setembro
2,5%
teto legal da Série F
Fontes: taxas Euribor de 30 de agosto de 2026 (ver Euribor hoje). Taxa dos Certificados de Aforro para setembro de 2026 confirmada pelo ECO e pela Renascença.
A taxa base dos Certificados da Série F é a média da Euribor a 3 meses, mas com um limite: 2,5%. A Euribor já passou esse valor. Ou seja, a partir de agora a Euribor pode continuar a subir e a taxa base dos Certificados fica onde está. O prémio de permanência continua a acrescer com os anos, de 0,25% no segundo ano até 1,75% nos dois últimos, mas isso premeia quem já lá está há muito tempo, não quem subscreve hoje.
As quatro opções em cima da mesa
Com os juros neste patamar, quem tem dinheiro parado tem quatro caminhos realistas. Nenhum é melhor em absoluto. O que muda entre eles é a combinação de risco, liquidez e proteção.
| Opção | Rendimento típico | Liquidez | Proteção | Para quem |
|---|---|---|---|---|
| Certificados de Aforro | 2,5% base em setembro, mais prémio de permanência | Resgate a qualquer momento após 3 meses | Estado português, sem limite de montante | Reserva de emergência e capital que não pode oscilar |
| Depósitos a prazo | Varia muito por banco e prazo. As melhores ofertas em agosto superavam os Certificados, quase sempre com condições | Preso ao prazo, ou com penalização de juros | Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000€ por titular e por banco | Quem sabe a data em que vai precisar do dinheiro |
| Obrigações | Acompanha as taxas de mercado, com o cupão fixado à entrada | Vendáveis antes do prazo, mas ao preço de mercado | Risco do emitente, sem garantia estatal | Quem quer fixar uma taxa por vários anos |
| ETFs e ações | Sem taxa garantida. Historicamente mais alto no longo prazo, com quedas pelo meio | Vende-se em qualquer dia de bolsa | Nenhuma sobre o valor, só sobre a custódia dos títulos | Dinheiro que não vais tocar durante 5 anos ou mais |
Comparação de taxas de depósitos em Melhores depósitos a prazo 2026. Detalhe dos Certificados em Certificados de Aforro 2026.
A pergunta certa: para quando é este dinheiro
Comparar taxas lado a lado é o erro mais comum. Um depósito a 3% e um ETF que fez 8% ao ano na última década não são a mesma coisa e não competem pelo mesmo dinheiro. O que decide é o horizonte.
Menos de 1 ano
Dinheiro que pode ser preciso a qualquer momento
Reserva de emergência, entrada de uma casa, obras marcadas. Aqui não se procura rendimento, procura-se que o valor esteja lá. Certificados de Aforro ou um depósito curto. Nunca mercado.
1 a 5 anos
Objetivo com data marcada
Sabes quando precisas. Faz sentido fixar uma taxa: depósito com o prazo certo, ou obrigações que vencem por essa altura. Ganhas previsibilidade e pagas com liquidez.
Mais de 5 anos
Reforma, património, capital sem destino marcado
É aqui que 2,5% ao ano começa a ser caro. Um produto a 2,5% bruto rende 1,8% líquido depois dos 28% de imposto. Se a inflação andar nos 2%, o poder de compra desse dinheiro está a encolher ligeiramente, mesmo com o saldo a subir todos os meses. É o horizonte onde o mercado compensa o risco.
O erro que custa mais do que escolher o produto errado
Em Portugal há dezenas de milhares de milhões de euros parados em contas à ordem a render zero. Enquanto as taxas estavam no chão, isso custava pouco. Com a Euribor perto dos 3%, o custo mudou de escala.
Dez mil euros parados numa conta à ordem durante um ano, num cenário em que a alternativa segura rende 2,5% bruto, custam cerca de 180€ líquidos de rendimento que não aconteceu. Não é uma perda visível no extrato, e é exatamente por isso que passa despercebida.
A decisão mais rentável para a maioria das pessoas não é escolher entre Certificados e depósitos. É tirar o dinheiro da conta à ordem para qualquer um dos dois.
Fixar taxa agora ou esperar
Esta é a dúvida legítima de quem está a olhar para prazos de 2 ou 3 anos. Não há resposta certa, mas há uma forma honesta de pensar nela.
Quando a curva de taxas está a subir, fixar hoje significa perder as subidas seguintes. Quando o ciclo vira, quem fixou fica a ganhar durante anos. Ninguém sabe onde está o topo, incluindo quem escreve isto. O que resolve o problema sem depender de previsão é dividir: parte em prazos curtos que renovam, parte fixa a prazo mais longo. Se as taxas subirem, a parte curta acompanha. Se caírem, a parte longa protege.
É a mesma lógica das escadas de depósitos ou obrigações. Não maximiza o resultado em nenhum cenário, e é a única abordagem que não fica mal em todos.
Onde é que uma corretora entra nisto
Certificados e depósitos resolvem o dinheiro de curto prazo. Não resolvem o capital com horizonte longo, e não dão acesso a obrigações internacionais nem a ETFs. Para isso é preciso uma conta de corretagem.
Há uma diferença que vale a pena perceber antes de comparar rendimentos, porque muita gente não a conhece: os depósitos bancários estão cobertos pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000€ por titular e por banco. Uma conta de corretora está coberta por um esquema diferente, o fundo de compensação de investidores, que na Freedom24 cobre até 20.000€ e apenas para o caso de os ativos segregados não poderem ser devolvidos. Não cobre perdas de mercado, e nenhum esquema cobre.
São coisas diferentes a proteger riscos diferentes. Quem coloca a reserva de emergência numa corretora está a usar a ferramenta errada. Quem deixa o capital de reforma num depósito a 2,5% durante 20 anos também.
Para a parte do dinheiro com horizonte longo
Os Certificados travaram nos 2,5%. Para o capital que não vais tocar durante anos, o acesso a ETFs, obrigações e ações faz-se por uma conta de corretagem. A Freedom24 é regulada na União Europeia, dá acesso a bolsas europeias e norte-americanas e tem conta em euros. Confirma as condições e as comissões antes de decidir, e lembra-te de que aqui não há taxa garantida.
Ligação de afiliado: se abrires conta através dela, o Lucrar.pt pode receber uma comissão, sem custo adicional para ti. Investir envolve risco de perda de capital.
Impostos: o que fica na tua mão
Em Portugal, juros de depósitos, juros de Certificados de Aforro, cupões de obrigações, dividendos e mais-valias de ações e ETFs são todos tributados a 28%. Nos depósitos e Certificados a retenção é feita na fonte e o dinheiro chega-te já líquido. Nas mais-valias, és tu que declaras no IRS, no anexo G.
Duas notas que mudam contas reais. Primeira: podes optar pelo englobamento, o que compensa quando a tua taxa marginal de IRS é inferior a 28%. Segunda: nas mais-valias, as menos-valias do mesmo ano abatem aos ganhos, o que não acontece com juros. Nenhuma destas notas substitui aconselhamento fiscal para a tua situação concreta.
Perguntas frequentes
Os Certificados de Aforro ainda valem a pena em setembro de 2026?
Para reserva de emergência e capital que não pode oscilar, continuam a ser dos produtos mais simples do mercado português: sem comissões, resgatáveis após três meses e sem limite de garantia. O que mudou é que a taxa base parou nos 2,5% e já não acompanha a Euribor. Quem quiser mais do que isso tem de aceitar prazo fixo ou risco de mercado.
Se a Euribor subir mais, os Certificados sobem também?
Não. A taxa base da Série F é a média da Euribor a 3 meses com um limite legal de 2,5%, e esse limite foi atingido em setembro de 2026. A partir daqui, subidas da Euribor não se refletem na taxa base. Só o prémio de permanência continua a acrescer com os anos de detenção.
Vale mais a pena depósito a prazo ou Certificados?
Depende de duas coisas: se sabes quando vais precisar do dinheiro e se a taxa do depósito compensa ficar preso ao prazo. As melhores ofertas de depósito em agosto de 2026 superavam os 2,5%, quase sempre com condições de montante, prazo ou domiciliação. Se não conseguires cumprir a condição, a taxa que te aplicam costuma ficar bem abaixo da anunciada.
Devo amortizar o crédito da casa em vez de investir?
Amortizar dá-te um retorno certo igual à taxa do teu crédito, sem imposto. Se o teu spread mais Euribor der acima de 3,5% ou 4%, amortizar bate quase todas as alternativas seguras. Se tens uma taxa fixa baixa contratada há anos, a conta muda. Podes comparar os dois cenários na calculadora de crédito habitação.
Faz sentido investir tudo de uma vez ou aos poucos?
Para quem já tem o montante disponível, investir de uma vez tende a dar melhor resultado histórico, porque o mercado sobe mais vezes do que desce. Investir aos poucos dá pior resultado médio e um percurso mais suave, o que reduz a probabilidade de desistires a meio. A segunda opção é pior no papel e melhor na prática para muita gente.
Ler a seguir
- Euribor hoje: taxas a 3, 6 e 12 meses
- Certificados de Aforro 2026: taxa atual e se compensam
- Melhores depósitos a prazo 2026
- Simulador: quanto rende 100€ por mês em ETFs do S&P 500
Quem escreveu isto
Gustavo Araújo, analista financeiro independente registado na CMVM e certificado a nível europeu (CEFA/EFFAS), licenciado em Finanças e Contabilidade com especialização em Finanças pelo ISCTE (IBS). Distinguido na lista Forbes 30 Under 30 Europe · Finance 2026.
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