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Análise de Mercado

💥A Coreia desligou a bolsa a meio e nem isso travou a queda

Esta semana, um dos maiores mercados do mundo teve de ser suspenso a meio da sessão para travar a hemorragia, e o gatilho veio outra vez do mesmo sítio. Nos EUA, duas gigantes apresentaram resultados na mesma noite: uma disparou 7%, a outra afundou 8%, e a diferença entre as duas explica o novo critério do mercado. Em Portugal, há um número da Deco que qualquer pessoa que faça compras devia conhecer.

Tens 5 minutos? Então vem ver o que se passou.

🩸 O Dia em Que a Coreia Parou, Literalmente

Às 9h06 da manhã de terça-feira, Seul acionou o primeiro travão automático. Não chegou. Quando as perdas ultrapassaram os 8%, o circuit breaker suspendeu todo o mercado durante 20 minutos, e nem isso travou a hemorragia: o Kospi fechou a afundar 10,84%, a quarta maior queda percentual da sua história, ao nível do 11 de setembro e do rebentar da bolha dotcom. O índice perdeu os 6.000 pontos pela primeira vez desde abril e apenas 36 das 917 ações do mercado principal fecharam em alta. Só em julho, o Kospi já perdeu quase 30%.

O massacre teve dois nomes: a Samsung caiu 13,4%, a pior sessão em quase 20 anos, e a SK Hynix afundou 14,7%, com as ações cotadas nos EUA a cair abaixo do preço a que estrearam em bolsa. Como as duas pesam mais de metade do índice, o resto do mercado nem teve direito a opinião, e o contágio varreu a região, com a japonesa Kioxia a perder 18% e o Nikkei a cair quase 4%. O gatilho voltou a vir da China, em dose dupla: um relatório revelou que o país já produz em massa máquinas de litografia DUV, o território até agora exclusivo da ASML, e a fabricante de memória CXMT estreou em Xangai a disparar 466%. O recado é o mesmo do Kimi K3, mas mais fundo: a China não está só a alcançar os modelos de IA, está a atacar toda a cadeia de produção.

O mais revelador foi quem vendeu e quem comprou. Os investidores estrangeiros despejaram $3,4 mil milhões em ações coreanas num só dia, enquanto os pequenos investidores locais compraram a queda quase na mesma proporção. E do outro lado do Pacífico, o contraste foi quase obsceno: o Dow subiu 537 pontos no mesmo dia, terceiro dia consecutivo de ganhos, e a versão equal-weight do S&P 500, que retira o peso das gigantes, bateu máximos históricos. O dinheiro não está a fugir do mercado, está a fugir dos chips. A rotação para a economia real que os fluxos já mostravam há duas semanas transformou-se em debandada, e até a Nvidia, a cair 5,5% para os $195, negoceia na valorização mais barata desde 2015, segundo a Barron’s.

💰 A Fed Passou-te o Volante

Já ouviste falar que o próprio presidente da Reserva Federal admitiu esta semana que, em 42 dias, “a Fed pouco fez, os mercados fizeram bastante”? Kevin Warsh recusou subir juros, recusou dar guidance e disse abertamente que está a deixar o mercado obrigacionista fazer o trabalho de aperto por ele. Traduzindo: quem está a definir o custo do dinheiro na maior economia do mundo já não é um comité em Washington, é quem compra e vende obrigações. E esse mercado respondeu no próprio dia, empurrando a yield a 30 anos acima dos 5,2%, um nível que não se via há quase duas décadas.

O que isto significa na prática é que o investidor em obrigações passou a estar do lado que dita as regras. Com três dissidentes dentro da própria Fed a exigir subidas e a inflação ainda longe dos 2%, o mercado está a exigir juros altos para financiar seja quem for, e essa exigência traduz-se diretamente no rendimento de quem entra agora. É uma configuração rara: normalmente é o investidor que aceita o que a Fed decide, desta vez é a Fed que aceita o que o mercado fixa. Janelas destas, em que a dívida do país mais seguro do mundo paga máximos de duas décadas porque o próprio banco central se recusa a intervir, não costumam sobreviver muito tempo à chegada da clareza. Quando a Fed finalmente escolher um caminho, estes níveis desaparecem num sentido ou no outro.

Além disso, este tipo de instrumento apenas se encontra disponível em algumas corretoras em Portugal, sendo a Freedom24 uma delas.

Caso tenhas interesse em criar uma conta:

📊 Análise Técnica – Coca-Cola ($KO)

Os resultados fizeram o que os resultados devem fazer: a Coca-Cola abriu em gap, disparou até aos $90,92 e marcou um novo máximo histórico intradiário, antes de arrefecer para fechar nos $89. O gráfico diário mostra uma tendência que vem intacta desde o arranque de 2026, sempre apoiada nas médias móveis: a EMA de 14 semanas, nos $80,80, tem funcionado como suporte dinâmico de todas as correções desde fevereiro, e a EMA de 40 semanas, nos $77, nunca chegou sequer a ser testada desde que o preço a reconquistou. Uma estrutura de máximos e mínimos crescentes de manual, agora coroada com ATH.

O movimento desta semana deixou, no entanto, um rasto para vigiar: o gap por preencher entre os $84,50 e os $86, aberto na reação aos resultados. Gaps de earnings em tendências fortes tanto ficam anos por fechar como funcionam de íman na primeira correção, e a zona coincide com a resistência dos $82,80 que o preço rompeu, agora transformada em suporte alargado. O Volume Profile reforça a leitura: o grosso do volume histórico está muito abaixo, entre os $78 e os $82, deixando o preço atual em território de descoberta onde não existe oferta acumulada para travar a subida.

Num mercado onde a tecnologia leva pancada por gastar demasiado, a Coca-Cola é o anti-momento: capex mínimo, dividendos crescentes e máximos históricos. Enquanto o preço se mantiver acima da EMA de 14 semanas, a tendência não tem nada para provar. A primeira correção ao gap dos $84,50 a $86 dirá se os compradores têm a pressa que os máximos sugerem.

📊 Market Snapshot

🏢 Outros destaques nos mercados

  • A Fed não mexeu, mas a votação tremeu: A Reserva Federal manteve os juros nos 3,50% a 3,75%, quinta reunião consecutiva sem alterações, mas com uma votação de 9 a 3, a mais dividida em anos, com Hammack, Kashkari e Logan a pedir uma subida imediata. Warsh recusou chamar “pausa” à decisão, cravou que o objetivo é 2% e não existe versão suave, e deixou no ar que o aperto pode vir pelo balanço em vez das taxas. O mercado não gostou: o Dow chegou a perder mais de 840 pontos durante a conferência e a yield a 30 anos disparou acima dos 5,2%, o nível mais alto desde 2007. Setembro é o teste: se a inflação não der tréguas, a maioria de nove não aguenta.
  • O petróleo fez a viagem inversa: A trégua regressou ao Golfo durante o fim de semana e o crude respondeu em queda livre: o Brent afundou mais de 6% na segunda-feira e registou o pior período de três dias desde 2020, poucos dias depois de ter tocado nos $100. As petrolíferas foram atrás, com a Chevron, a Exxon e a TotalEnergies a cair em bloco, e a queda do barril deu fôlego extra à rotação para fora da energia. Depois de um julho a subir mais de 20%, o prémio geopolítico saiu do preço quase tão depressa como entrou. No petróleo, a paz também é um choque.

📑 Earnings das empresas

Resultados Divulgados:

  • Coca-Cola ($KO): Receitas de $13,4 mil milhões superam estimativas em $240M. EPS de $0,97 bate as previsões de $0,93. A ação subiu 0,97% para perto de máximos. Enquanto a tecnologia justifica capex, a Coca-Cola limita-se a vender e a subir. Há dias em que ser aborrecida é o melhor negócio do mercado.
  • Visa ($V): Receitas de $11,6 mil milhões superam estimativas em $220M. EPS de $3,32 bate as previsões de $3,22. O consumidor americano continua a passar o cartão, e numa semana de confiança em queda, é a Visa que dá o dado mais fiável de todos: as pessoas podem dizer que estão pessimistas, mas continuam a gastar.
  • Microsoft ($MSFT): Receitas de $90 mil milhões (+18%) esmagam as estimativas de $87,6 mil milhões. EPS de $4,74 pulveriza os $4,24 esperados. O Azure cresceu 43%, acima dos 40% previstos, ultrapassou os $100 mil milhões de receita anual pela primeira vez, e o Copilot passou os 30 milhões de lugares pagos. A ação disparou mais de 7% no after hours, a provar que o mercado não está contra o capex, está contra capex sem retorno à vista. A Microsoft mostrou o retorno.
  • Meta Platforms ($META): Receitas de $60,8 mil milhões superam estimativas, mas o EPS de $6,18 falhou largamente os $7,17 esperados, com a Reality Labs a queimar mais $4,6 mil milhões num trimestre e um guidance de receitas abaixo do previsto. A ação afundou quase 8% no after hours. Na mesma noite, com números na mesa, o mercado premiou a Microsoft e castigou a Meta. O critério é claro: mostra-me o dinheiro.

Resultados a serem divulgados:

  • Apple ($AAPL): Resultados na quinta-feira, 30 de julho, após o fecho. Receitas estimadas de $108,85 mil milhões e EPS de $1,89. A ação negoceia nos $333, depois de saltar 3,5% na sexta-feira, capitalização de $4,89 biliões, a maior do mundo. A única da Big Tech que não precisa de justificar capex, precisa de justificar o iPhone.
  • Amazon ($AMZN): Resultados na quinta-feira, 30 de julho, após o fecho. Receitas estimadas de $196,51 mil milhões e EPS de $1,81. A ação negoceia nos $232, capitalização de $2,5 biliões, depois de perder $120 mil milhões por arrasto da Alphabet. Com guidance de capex acima de $200 mil milhões, é a próxima na cadeira do dentista.

📈 Gráfico do dia

🌍 O Cabaz Que Custa Mais 65 Euros do Que Há Quatro Anos

A inflação nos supermercados portugueses recusa-se a dar tréguas. O cabaz alimentar de 63 produtos monitorizado pela Deco Proteste subiu mais 2,18 euros esta semana, para os 253,47 euros, e desde o início do ano já encareceu 11,65 euros, uma subida de 4,82%. Face ao mesmo período do ano passado, a fatura é 13,82 euros mais pesada, um acréscimo de 5,77% que continua bem acima da inflação geral. Quem faz as compras da semana não precisa do INE para saber que os preços não param.

As subidas da semana têm nomes concretos: as salsichas Frankfurt dispararam 25%, o atum em posta em azeite subiu 14% e o peito de peru fatiado ficou 10% mais caro. No acumulado de um ano, o pódio pertence ao peixe, com o bacalhau graúdo a encarecer 24% para os 19,34 euros por quilo, o robalo a subir 23% e a perca do Nilo a ficar 22% mais cara. Proteína no prato passou definitivamente a artigo de luxo.

Mas o número que resume tudo é o de longo prazo: quando a Deco começou a monitorizar estes preços, no início de 2022, o mesmo cabaz custava menos 65,77 euros. Em quatro anos e meio, a subida acumulada é de 35,04%, com a carne de novilho para cozer a disparar 121%, o bacalhau 82% e os ovos 78%. Os salários foram atrás? Essa é a pergunta que cada família responde sozinha no final do mês.


💰 Ação do dia

(Calma, apenas para colocar na watchlist!)

💎Patrocinador

A Freedom24 é uma plataforma que permite aceder a ações, ETFs, Obrigações e outros instrumentos financeiros em bolsas como a NASDAQ e a NYSE.

Há várias ferramentas para utilizar nos gráficos, informações de mercado e dados fundamentais das empresas.

No botão abaixo permite aceder a uma campanha limitada até dia 31/08/2026:

Obrigado!🙏

Quero agradecer por estares nesse lado a acompanhar o meu trabalho.

Deste lado cá estarei para te apoiar com os meus estudos!

Até uma próxima!

Gustavo Araújo

Disclaimer 📌

O conteúdo partilhado serve apenas para fins informativos e educacionais. NÃO representa qualquer tipo de aconselhamento financeiro implícito ou explícito, NEM recomendação de investimento.


😆 Para rir um pouco…

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