💥 A China deu um modelo de graça e apagou 3,3 biliões.
Cardas Capital··11 min
Bastou um comunicado de uma empresa que a maioria dos investidores nem sabia que existia para apagar 3,3 biliões de dólares do mercado americano. A empresa mais importante do mundo dos chips fez o melhor trimestre de sempre e foi castigada na mesma. Em Portugal, o mercado da habitação está a fazer algo que desafia a lógica económica mais básica. E enterrado nos futuros da Fed está um número que diz que o jogo está prestes a virar, e quase ninguém está a olhar para ele.
Tens 5 minutos? Então vem ver o que se passou.
🔥 A China Lançou Um Modelo. Wall Street Perdeu 3,3 Biliões.
O setor que carregou o mercado às costas durante todo o ano acabou de entrar oficialmente em bear market. O Philadelphia Semiconductor Index fechou sexta-feira mais de 20% abaixo do recorde de finais de junho, depois de uma semana em que caiu 12,5%, a pior em mais de 15 meses. Desde 22 de junho, evaporaram-se cerca de $3,3 biliões em valor de mercado nas empresas de chips. O gatilho não foi a Fed, não foi o Irão e não foi um dado de inflação. Foi um anúncio vindo de Pequim.
A startup chinesa Moonshot, apoiada pela Alibaba, revelou o Kimi K3, um modelo de inteligência artificial com 2,8 biliões de parâmetros, o maior modelo de pesos abertos alguma vez lançado, que nos benchmarks iguala ou supera vários dos melhores modelos americanos. O detalhe que gelou o mercado: vai estar disponível para download gratuito a partir de 27 de julho. Se soa familiar, é porque é. O mercado chamou-lhe imediatamente o novo momento DeepSeek, e a pergunta de 2025 voltou com força em 2026: para que servem centenas de milhares de milhões em infraestrutura de IA se a China oferece resultados comparáveis a uma fração do custo?
O dinheiro já está a responder. Os fluxos mensais dos ETFs setoriais do S&P mostram uma saída de quase $9 mil milhões do setor tecnológico, de longe a maior de todos os setores, enquanto os financials lideram as entradas. A rotação de tech cara para setores mais ligados à economia real deixou de ser uma teoria de estrategas e passou a estar nos fluxos. E a ironia da semana diz tudo sobre o estado do mercado: a TSMC apresentou o melhor trimestre da sua história, com lucros a subir 77% e guidance em alta, e a ação caiu na mesma.
Antes do pânico total, vale a pena olhar para o retrovisor: mesmo depois desta queda, o índice dos semicondutores ainda sobe mais de 60% em 2026. Um bear market técnico depois de uma subida de 105% entre março e junho é uma correção violenta, não é necessariamente o fim do ciclo. A resposta chega já na próxima semana, quando a Alphabet e os restantes gigantes abrirem os livros e disserem ao mercado se os cheques de capex continuam a ser passados.
💰 O Ativo Que Subiu Enquanto Tudo Caía
Já ouviste falar que dois terços do mercado já está posicionado para uma subida de juros da Fed até ao final do ano? Não um corte, uma subida. Seria a primeira em anos e mudaria por completo as regras do jogo para quem investe. E no meio desta viragem aconteceu algo revelador: na semana em que os semicondutores perderam $3,3 biliões e arrastaram o Nasdaq, as obrigações do Tesouro americano fizeram o caminho inverso e valorizaram, com os investidores a fugir das ações diretamente para a dívida soberana.
O que isto significa na prática é que acabaste de ver, em tempo real, a razão de ser das obrigações numa carteira. Quando o pânico chegou à tecnologia, o dinheiro não desapareceu, mudou de morada. Quem tinha tudo em ações de IA viu semanas de ganhos evaporar em três sessões, e quem tinha parte do capital em obrigações viu essa fatia amortecer o golpe e ainda ganhar valor. Num mercado onde um único anúncio vindo de Pequim consegue apagar biliões, ter uma parte da carteira que se comporta ao contrário das ações não é ser conservador, é ser inteligente.
Além disso, este tipo de instrumento apenas se encontra disponível em algumas corretoras em Portugal, sendo a Freedom24 uma delas.
A Tesla fechou a semana a cair 6,60% e a marcar o mínimo do mês, num gráfico semanal que conta uma história de rejeição clara. Depois de recuperar do mínimo do segundo trimestre nos $337,24, o preço subiu até à zona dos $430 a $450 mas nunca conseguiu reconquistar o terreno perdido face ao máximo histórico dos $498,83. A retração de Fibonacci traçada entre o Q2 Low e o ATH mostra o problema: o preço foi rejeitado repetidamente na zona dos 62% a 70,5% ($437 a $451) e agora perdeu também os 50% nos $418, que passaram de suporte a resistência.
O Volume Profile acrescenta o contexto que falta. A maior concentração de volume de todo o movimento está bem mais abaixo, na zona dos $325 a $345, onde o mercado construiu valor durante meses antes do último impulso. Entre o preço atual e essa zona existe um vazio de volume relevante, o que significa que, se os $377 do mínimo desta semana cederem, o caminho até ao Q2 Low nos $337 tem pouca estrutura para travar a queda. Acima, a zona dos $405 a $420 concentra a oferta que tem vindo a rejeitar todas as tentativas de recuperação.
O timing torna tudo mais interessante: os resultados saem já na quarta-feira, 22 de julho, com o preço encostado ao mínimo do mês e o mercado dividido entre entregas recorde e margens sob pressão. Um bom relatório encontra espaço até aos $418 e depois até à zona dos $437 a $451. Um mau relatório testa os $377 e, abaixo disso, abre a porta ao vazio de volume até aos $337.
📊 Market Snapshot
🏢 Outros destaques nos mercados
A guerra voltou, e o petróleo foi atrás: A trégua entre os EUA e o Irão desfez-se e a semana terminou com a sexta noite consecutiva de ataques americanos, com o Irão a responder contra bases dos EUA no Kuwait, Jordânia, Bahrein, Omã, Qatar e Síria, incluindo um ataque a uma central de dessalinização kuwaitiana. O Brent fechou sexta-feira a disparar 4,6% para os $88,10, acumulando uma subida de mais de 14% na semana, com o tráfego no Estreito de Ormuz novamente limitado e os EUA a reinstalar o bloqueio naval aos portos iranianos. O prémio geopolítico está de volta ao barril, e desta vez com juros.
Consumidor americano aguenta-se, habitação nem por isso: As vendas a retalho de junho subiram 0,2%, em linha com o esperado, e os pedidos de subsídio de desemprego caíram para 208 mil, sinal de um mercado de trabalho que se recusa a ceder. Do outro lado, as pending home sales afundaram 5,4% no mês, muito pior do que o previsto, com as taxas de juro elevadas a congelar o mercado imobiliário. A economia continua a duas velocidades, e a habitação está claramente na faixa lenta.
Falcões a caminho da Fed: A presidente da Fed de Dallas, Lorie Logan, defendeu publicamente uma subida “modesta” das taxas de juro, na mesma semana em que Kevin Warsh se estreou no Senado como chairman e saiu com elogios ao tom. Os futuros já colocam dois terços do mercado a apostar numa subida até ao final do ano. Depois de anos a discutir cortes, Wall Street está a reaprender a soletrar a palavra hike.
📑 Earnings das empresas
Resultados Divulgados:
Taiwan Semiconductor ($TSM): Receitas recorde de $40,2 mil milhões (+33,7% YoY) superam estimativas em $260M. EPS de $4,31 bate previsões em $0,51. Lucro líquido disparou 77,4%, margem bruta nos 67,7% e guidance anual elevado para crescimento acima de 40%. Nada disto travou a queda: a ação caiu 2,77%, arrastada pelo pânico do setor com o Kimi K3 da Moonshot.
UnitedHealth ($UNH): Receitas de $112 mil milhões superam estimativas em $1,24B. EPS de $6,38 esmaga previsões em $1,53, uma surpresa de +31,5%. Depois do ano negro de 2025, a maior seguradora de saúde dos EUA voltou a mostrar números sólidos, mas a ação subiu apenas 0,64%, sinal de que a confiança ainda está em reconstrução.
Resultados a Serem Divulgados
Alphabet ($GOOGL): Resultados previstos para quarta-feira, 22 de julho, após o fecho do mercado. Receitas estimadas de $116,96 mil milhões e EPS de $2,88. A ação negoceia nos $346, capitalização de $4,23 biliões. Vai ser o primeiro grande teste da Big Tech depois do abalo do Kimi K3, e o mercado quer ouvir uma coisa acima de tudo: se os milhares de milhões de capex em IA continuam a fazer sentido quando a China oferece modelos comparáveis de borla.
Tesla ($TSLA): Resultados previstos para quarta-feira, 22 de julho, após o fecho do mercado. Receitas estimadas de $25,99 mil milhões e EPS de $0,52. A ação negoceia nos $380, capitalização de $1,43 biliões, ainda mais de 20% abaixo do máximo das últimas 52 semanas. As entregas do trimestre já são conhecidas, 480 mil veículos, uma subida de 25% e o melhor registo em anos, mas o mercado quer saber se as margens acompanham ou se a Tesla está a vender mais carros a ganhar menos em cada um.conturbados.
Intel ($INTC): Resultados previstos para quinta-feira, 23 de julho, após o fecho do mercado. Receitas estimadas de $14,42 mil milhões e EPS de $0,21. A ação negoceia nos $95, capitalização de $477,67 mil milhões, depois de uma valorização de mais de 160% desde o início do ano que fez dela uma das histórias de recuperação mais improváveis do mercado. A empresa soma seis trimestres consecutivos de receitas acima do esperado e o mercado quer confirmação de que o negócio de foundry e o processo 18A continuam a ganhar tração. Numa semana em que os semicondutores entraram em bear market, a Intel joga em casa: é a única resposta americana à dependência da TSMC.
Exxon Mobil ($XOM): Receitas estimadas de $110,25 mil milhões e EPS de $3,66. A ação negoceia nos $147, capitalização de $610,73 mil milhões, perto de máximos. A própria empresa já avisou o mercado do que aí vem: os lucros do trimestre devem ter um impulso de cerca de $5 mil milhões face ao trimestre anterior, graças ao disparo do petróleo durante a guerra com o Irão, com os analistas a esperar $15,7 mil milhões de lucros ajustados, quase o triplo do primeiro trimestre. A guerra de Ormuz tem uma fatura, e a Exxon está do lado que recebe
📈 Gráfico do dia
🌍 Menos Casas Vendidas, Preços Mais Altos. A Matemática Impossível do Imobiliário Português
O mercado da habitação em Portugal continua a desafiar a gravidade. O preço mediano das casas efetivamente transacionadas atingiu o recorde de 2.337 euros por metro quadrado no primeiro trimestre, quase o dobro do valor registado há cinco anos, segundo o INE. A subida homóloga foi de 19,8%, uma aceleração face aos 17,5% do trimestre anterior, e o detalhe que torna tudo mais estranho é que o número de negócios fechados caiu 10,5% no mesmo período. Vendem-se menos casas, mas cada uma sai mais cara.
A escalada não poupou praticamente ninguém. Dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, 13 subiram acima da média nacional, com Guimarães a liderar com uns impressionantes 41,9% e Vila Franca de Xira logo atrás com 32,2%. Na Grande Lisboa, Sintra, Odivelas e Amadora registaram todas subidas acima de 21%, sinal de que a pressão da capital está a empurrar os compradores para os concelhos vizinhos e a levar os preços atrás.
Quanto aos valores absolutos, a hierarquia mantém-se: Lisboa é a mais cara do país com 5.292 euros por metro quadrado, seguida de Cascais com 5.000 e Oeiras com 4.511. Os dados europeus colocam Portugal como líder na valorização da habitação, um pódio que nenhum comprador pediu para subir.
💰 Ação do dia
(Calma, apenas para colocar na watchlist!)
💎Patrocinador
A Freedom24 é uma plataforma que permite aceder a ações, ETFs, Obrigações e outros instrumentos financeiros em bolsas como a NASDAQ e a NYSE.
Há várias ferramentas para utilizar nos gráficos, informações de mercado e dados fundamentais das empresas.
No botão abaixo permite aceder a uma campanha limitada até dia 31/08/2026:
Obrigado!🙏
Quero agradecer por estares nesse lado a acompanhar o meu trabalho.
Deste lado cá estarei para te apoiar com os meus estudos!
Até uma próxima!
Gustavo Araújo
Disclaimer 📌
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