📉 O consumidor americano está mais pessimista do que na Grande Recessão e a NVIDIA bateu todos os recordes.
Cardas Capital··7 min
A NVIDIA fez o melhor trimestre da sua história e a ação caiu. O consumidor americano está no pior registo de sempre. E Trump publicou uma imagem de drones a destruir navios iranianos enquanto dizia ao mundo que a paz estava quase assinada.
Tens 5 minutos? Então vem ver o que se passou.
🤖 A NVIDIA que o Mercado Já Não Consegue Surpreender
A NVIDIA reportou receitas record de $81,6 mil milhões no primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, um crescimento de +85% face ao ano anterior e acima dos $78,9 mil milhões esperados pelo mercado. O segmento de Data Center, que representa 92% das vendas totais, quase duplicou face ao ano anterior para $75,2 mil milhões. O EPS não-GAAP ficou em $1,87, bem acima dos $1,78 estimados.
O guidance para o segundo trimestre foi de $91 mil milhões deixando Wall Street a rever modelos em tempo real, sem qualquer receita da China incluída nesse número. Com os quatro maiores hyperscalers a anunciar planos de capex de cerca de $725 mil milhões para 2026, a procura por GPUs Blackwell não dá sinais de abrandamento. Jensen Huang fechou a call com uma frase simples: “A procura foi parabólica. A razão é simples: a IA agente chegou.”
A NVIDIA aproveitou ainda para adicionar $80 mil milhões à autorização de recompra de ações e aumentou o dividendo trimestral para $0,25. Sinais claros de que a geração de caixa está a acelerar a um ritmo que a própria empresa já não sabe onde colocar. A ação caiu cerca de 1,5% em after-hours, fiel ao padrão dos últimos trimestres: resultados extraordinários, reação negativa. O mercado já não se impressiona com bater estimativas, quer é saber o que vem a seguir.
O paradoxo da NVIDIA em 2026 é este: quanto melhor os resultados, mais alta a fasquia para o trimestre seguinte. As vendas cresceram 85% para $81,6 mil milhões, o lucro líquido chegou aos $58,3 mil milhões contra estimativas de $42,9 mil milhões, e a ação fechou ligeiramente abaixo. Não é fraqueza, é o preço de ser a empresa mais importante do mundo.
O gráfico diário da NVIDIA mostra uma estrutura típica de pós-earnings: spike violento para os $236 seguido de rejeição imediata e devolução de grande parte do movimento. A ação disparou nos resultados do dia 20 de maio e nos dias seguintes entrou em modo de distribuição, devolvendo o ganho até regressar à zona dos $212,50, marcada a vermelho no gráfico como uma resistência relevante que agora testa como suporte.
Os dois blocos FVG D (Fair Value Gap diário) entre os $205 e os $212,50 são a zona de interesse técnico mais imediata. São lacunas deixadas pela subida violenta dos earnings que o mercado ainda não fechou completamente. A EMA 50 em $203,19 e a EMA 100 em $194,75 estão abaixo do preço e a inclinar para cima, o que mantém a estrutura de médio prazo intacta. O suporte mais fundo a vigiar fica nos $190, zona onde a ação consolidou antes do impulso de abril.
O padrão é conhecido nos últimos trimestres: resultados record, spike, venda. Não é fraqueza estrutural, é o comportamento de uma ação onde as expectativas já incorporam a perfeição. A questão agora é se os FVGs absorvem a pressão vendedora e a ação retoma o caminho para novos máximos, ou se perde o suporte dos $212,50 e abre espaço para rever a EMA 50.
📊 Market Snapshot
🏢 Outros destaques nos mercados
Kevin Warsh toma posse na Fed: Trump liderou a cerimónia de tomada de posse de Kevin Warsh na Casa Branca na sexta-feira, tornando-o o primeiro presidente da Fed a ser empossado na Casa Branca desde Alan Greenspan em 1987. Warsh herda um banco central com inflação a acelerar, consumidor no mínimo histórico e um presidente com “expectativas muito específicas” sobre as taxas de juro.
Confiança do Consumidor EUA (Michigan, maio 2026): O índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan despenhou para um mínimo histórico de 44,8 em maio, revisto em baixa face à estimativa preliminar de 48,2 e marcando o terceiro mês consecutivo de queda. O custo de vida foi a principal preocupação, com 57% dos consumidores a citar os preços elevados como fator que corrói as suas finanças. As expectativas de inflação a um ano subiram para 4,8% e as de longo prazo para 3,9%. Recordes históricos negativos não costumam acontecer em silêncio.
📑 Earnings das empresas
Resultados divulgados:
Richemont ($CFRUY): Vendas anuais de €22,4 mil milhões, crescimento de +11% a taxas constantes e de +5% a taxas reais, com o quarto trimestre a acelerar para +13%. A divisão de joalharia, que inclui a Cartier e a Van Cleef & Arpels, disparou +16% a taxas constantes, acima dos 11% esperados pelos analistas. A queda nas vendas no Médio Oriente foi compensada pela procura forte nas Américas e na Ásia.
BJ’s Wholesale Club ($BJ): Receitas de $5,66 mil milhões, crescimento de +9,9% em termos anuais e beat de 4,2% face às estimativas. EPS ajustado de $1,10, acima dos $1,03 esperados, beat de 6,7%. As receitas de membership atingiram um máximo histórico de $132 milhões, com crescimento de 10%. Apesar do beat, a ação caiu mais de 4% em pré-mercado.
Resultados a serem divulgados:
Broadcom ($AVGO) – Resultados previstos para 2 de junho de 2026. EPS estimado de $2,39 com receitas esperadas de $22,04 mil milhões. A ação negoceia nos $414, com uma capitalização bolsista de $1,96 biliões. Com o ciclo de IA a plena velocidade e a Broadcom a ser um dos principais fornecedores de chips personalizados para os hyperscalers, os olhos estarão no guidance e na evolução da divisão de semicondutores de IA.
📈 Gráfico do dia
🚩Bruxelas Vê Portugal a Crescer, Mas Avisa que o Bolso Público vai Apertar
A Comissão Europeia publicou as suas previsões de primavera e trouxe uma mistura de conforto e cautela para Portugal. O crescimento esperado para 2026 é de +1,7%, acima da média da Zona Euro, apesar dos choques adversos do início do ano, as tempestades de janeiro e fevereiro e a escalada dos preços da energia em março e abril. Bruxelas reconhece que Portugal aguenta melhor do que a maioria, mas avisa que o ritmo vai abrandar face aos 1,9% de 2025.
O lado menos confortável vem das finanças públicas. O superavit de 0,7% registado em 2025 deve transformar-se num défice de 0,1% em 2026 e de 0,4% em 2027, num cenário sem alterações de política. A culpa é partilhada entre as medidas de apoio pós-tempestades e os cortes no IRS e IRC aprovados anteriormente. A Comissão apresssa-se a notar que Portugal continuará a ter um dos défices mais baixos da Zona Euro, o que é verdade, mas a trajectória é clara: de superavit para défice em apenas um ano.
A inflação também merece atenção. Bruxelas projecta 3% em 2026, subida face aos 2,2% de 2025, antes de recuar para 2,3% em 2027. A energia volta a ser o motor desta aceleração. Num país com o turismo tão dependente do transporte aéreo, a Comissão deixou ainda um aviso específico sobre a incerteza no abastecimento global de combustível de aviação como um risco a monitorizar.
💰 Ação do dia
(Calma, apenas para colocar na watchlist!)
💬O Chefe Twita
Enquanto os negociadores de ambos os lados aprovavam rascunhos de paz e o próprio Trump garantia ao mundo que não ia “apressar nada”, o presidente dos EUA publicou uma imagem gerada por IA de um drone americano a destruir navios iranianos em chamas. A legenda foi à altura da diplomacia em curso: “Adios.”
É o mesmo homem que na sexta-feira jurava independência total para a Fed, que no sábado dizia que o acordo de paz estava quase feito e que no domingo recuou dizendo que “o tempo está do nosso lado”, num só fim de semana. Quem tenta precificar o petróleo, a geopolítica ou a política monetária com base nos posts do Truth Social tem toda a nossa solidariedade.
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Quero agradecer por estares nesse lado a acompanhar o meu trabalho.
Deste lado cá estarei para te apoiar com os meus estudos!
Até uma próxima!
Gustavo Araújo
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