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A importância da análise fundamental de uma ação: um guia simples e eficaz

Antes de comprar uma ação, é fundamental entender o valor intrínseco da mesma e o modo como a empresa está a exercer a sua atividade operacional, e é aqui que entra a análise fundamental.

Investir em ações não se trata de criação de riqueza imediata, mas sim de manutenção de riqueza a longo prazo, protegendo-nos da pressão exercida sobre o índice de preços do consumidor. No entanto, antes de comprar uma ação, é fundamental entender o valor intrínseco da mesma e o modo como está a exercer a sua atividade operacional, e é aqui que entra a análise fundamental. Mas do que se trata, e porque é tão importante no processo de aquisição de ações?

O que é a análise fundamental?

A análise fundamental é um processo que ajuda investidores a descobrir se uma empresa é uma boa escolha para investimento. Em vez de se focar apenas no preço da ação, a análise fundamental examina a “saúde financeira” da empresa. Podemos comparar essa análise a um “check-up médico” de uma empresa, no qual avaliamos os seus “sinais vitais”: lucro, dívidas, receitas, e outros fatores importantes. Ao conhecer esses detalhes, o investidor consegue saber se a empresa tem possibilidade de crescimento e será uma boa escolha perante o seu perfil de risco.

Basta olhar para o preço da ação?

Imagine que vai comprar um carro usado. Na prática, não vai querer apenas saber o preço final, mas sim entender o estado do veículo, se este tem sido bem cuidado, e se será uma compra sustentável no futuro. O mesmo acontece para uma ação. Às vezes, o preço de uma ação pode estar alto ou baixo por fatores ocasionais ou temporários, mas o valor da empresa por trás desse preço é o que importa para uma decisão de longo prazo. Quando se olha apenas para o preço, podemos cair numa “armadilha”. Por exemplo, uma ação barata pode ser de uma empresa com problemas financeiros, que está a perder dinheiro e não consegue crescer. Por outro lado, uma ação cara pode ser de uma empresa sólida, com grande potencial de crescimento. A análise fundamental ajuda a diferenciar esses casos, para que o investidor faça escolhas mais informadas e seguras.

Principais elementos da análise fundamental?

– Receitas e Lucros: As receitas representam o dinheiro que a empresa ganha com a venda dos seus produtos ou serviços. Já o lucro é o que sobra depois de deduzir todas as despesas. Geralmente, uma empresa que revela receitas e lucros crescentes nos últimos 5 anos, significa que se encontra numa boa situação financeira, enquanto uma empresa que apresenta prejuízos, poderá estar com problemas operacionais, nomeadamente de controlo de custos. A forma mais simples para avaliar se a empresa está a controlar bem a sua atividade operacional é olhar para a Margem EBITDA (EBITDA/Receita) do setor em que a empresa se insere relativamente aos últimos 5 anos, e perceber se a empresa se encontra abaixo ou acima desta.

– Endividamento: As empresas que acumulam muitas dívidas podem ter dificuldades no futuro, especialmente em momentos de crise económica. A análise fundamental ajuda a entender o quanto a empresa depende das dívidas para exercer a sua atividade. Avaliar a dívida líquida (Dívida de longo prazo + Dívida de curto prazo – Caixa) sobre o EBITDA poderá ser um bom rácio para perceber a alavancagem da empresa. Normalmente, um rácio de Dívida Líquida/EBITDA superior a 4 ou 5 vezes chama a atenção para demasiada alavancagem. No entanto, é necessário verificar se a empresa não investiu em capital fixo de modo a melhorar a sua atividade no longo prazo.

Vantagens da análise fundamental para o investidor?

1. Evitar riscos desnecessários: Com a análise fundamental, o investidor pode evitar empresas numa situação financeira delicada e com dívidas excessivas, que podem levar a prejuízos no longo prazo.

2. Identificar oportunidades de crescimento: A análise ajuda também a identificar empresas sólidas e com potencial de crescimento, que podem valorizar ao longo dos anos.

3. Investimento com mais Segurança: Comprar ações com base em dados concretos oferece mais segurança, pois o investidor está a fundamentar as suas decisões com informações objetivas e não com “palpites”.

Exemplo simples:

Imagine que tem duas empresas para escolher no mesmo setor: a empresa A e a empresa B.

– A empresa A apresenta uma receita em crescimento, lucros consistentes e um nível de endividamento controlado. Além disso, o seu fluxo de caixa tem sido positivo nos últimos cinco anos.

– A empresa B, por outro lado, possui uma receita instável, regista prejuízos frequentes e acumula dívidas para cobrir as suas despesas. Nos últimos cinco anos, a empresa B tem gerado um fluxo de caixa inconsistente, oscilando entre valores negativos e positivos, devido à necessidade de financiamento para manter a sua atividade.

Com base na análise fundamental, torna-se evidente que a empresa A parece uma escolha mais segura e promissora do que a empresa B, pois demonstra sinais de boa gestão e saúde financeira. De notar, que o seu fluxo de caixa positivo salienta esta análise pois a empresa gera dinheiro há 5 anos consecutivos.

O poder da análise fundamental?

A análise fundamental é uma ferramenta poderosa para qualquer pessoa que queira investir em ações de forma consciente e responsável. Embora possa parecer complicada no início, pode ser simplificada ao focar nos pontos principais: lucros, receitas e dívidas. Com o tempo, qualquer investidor consegue desenvolver esse olhar analítico e fazer escolhas mais seguras e promissoras. De notar, que deve sempre ter em conta o setor em que a empresa se insere e que para empresas cotadas esta informação está presente em fontes credíveis e gratuitas, como o yahoo finance, na respetiva demonstração de resultados e balanço. Existem outras métricas e indicadores importantes, como o fluxo de caixa, que deverão ser tidas em contas, mas para efeitos de simplificação não foram considerados neste artigo.