Workolic
Aqui irás saber muita coisa sobre mim e do projeto.
De onde venho
Cresci num ambiente instável e financeiramente caótico. O meu pai tinha o que eu chamo de nível 3 de vício em jogos de azar e casinos:
- Nível 1: aposta o próprio dinheiro;
- Nível 2: aposta o da parceira;
- Nível 3: penhora bens dos filhos e da casa.
Os meus pais separaram-se de vez antes dos meus 10 anos. Fiquei com um pai ausente e uma mãe que fazia horas extras atrás de horas extras, uma workaholic por necessidade: para sustentar dois filhos, às vezes por menos de um salário mínimo.
Crescemos em vários bairros, ao ritmo das mudanças de casa, e fui alvo de gozo e bullying na escola. Tentava ser o engraçadinho para ser aceite; só piorou. Até ao dia em que uma provocação me fez perder o controlo e a briga acabou com um colega no hospital. Esse dia transformou-me: passei de extrovertido a introvertido, e percebi cedo aquilo que ainda hoje repito, a luta não é com o mundo, é connosco mesmos.
A primeira luta pelo dinheiro
Aos 14 anos, recebi um portátil pelo escalão A do SASE e tentei ganhar dinheiro a gravar as minhas jogadas: milhares de visualizações, dezenas de euros. Aos 16, um amigo ensinou-me um "truque" na internet que começou por render 300€ por mês, e chegou aos 900€, com meses de 1500€. Enquanto estudava. Finalmente podia ajudar em casa.
O truque morreu durante o estágio Erasmus na Irlanda: emprestei o computador a um amigo, as instruções não foram seguidas, fui banido e ainda paguei uma coima. De volta a casa, candidatei-me à Staples, ao McDonald's e ao Continente, ninguém me quis.
Pedi uns meses à minha mãe para tentar entrar na faculdade pública. Vinha de um curso profissional sem matemática e faltavam 3 meses para o exame de Matemática A. Com explicações do meu irmão, um livro de preparação e o ExplicaMat à noite, tive 16 no exame e entrei na licenciatura de Finanças e Contabilidade no ISCTE, com bolsa de estudos da DGES.
O nascimento do Workolic
Em paralelo com a faculdade criei o canal Workolic (derivado de workaholic): o primeiro canal de YouTube focado em investimentos e análises em Portugal, com linguagem simples e acessível para temas complexos. A XTB, corretora que eu já utilizava, tornou-se o meu primeiro patrocinador: um dos poucos modelos onde existe um win-win-win.
- Win: eu ganho por receber pelo trabalho;
- Win: o patrocinador ganha por ter mais clientes;
- Win: quem vê ganha pelo conhecimento, resultados e poupança em comissões.
Também ganhei inimigos: expus influenciadores que promoviam trading milagroso e casinos ilegais, e fui processado por isso mais do que uma vez. O gambling é o que mais me revolta: quem cresceu com este vício dentro de casa nunca promoveria casinos, por maior que fosse a oferta.
Aos 5 mil seguidores lancei o curso "Como Investir do 0" e faturei cerca de 50 mil euros, ainda no 2.º ano da faculdade. O plano B tinha acabado de passar a plano A.
O fundo do poço
Terminada a licenciatura, arrisquei tudo no meu grande projeto: um token utilitário, com parecer do Banco de Portugal e apresentação do projeto à CMVM, criado para refletir o sucesso da minha empresa e dar utilidade real à comunidade. Coloquei cerca de 70 mil € do meu capital, e família e amigos entraram comigo.
O lançamento coincidiu com o colapso da FTX, da Luna e das criptomoedas em geral. Todo o ceticismo em torno das criptomoedas em Portugal caiu em cima do projeto: ofensas, acusações e até ameaças à minha integridade física. Entrei em colapso mental e, pela primeira vez na vida, decidi desistir: não do projeto, de tudo. Foi a reação da minha família que me travou. Procurei ajuda, tomei antidepressivos, aproximei-me da natureza e, poucos meses depois, estava a trabalhar de novo.
Hoje, o meu investimento no projeto vale mais do dobro, todos os investidores, colaboradores e amigos saíram com lucro ou no breakeven, e continuo com planos gigantes para o token. Não tenho pressa, o tempo está do meu lado.
Recomeçar
Sobreviver àquilo mudou a minha relação com o medo: a realidade é aquela que criamos e moldamos. Perdi a vergonha e a timidez de fazer muitas coisas: incluindo comprar a primeira casa, num projeto em planta em Setúbal que eu conseguia ver da janela da casa da minha mãe. Três anos depois, foi avaliada quase pelo dobro.
Pelo caminho, o Instagram baniu vários "FinInfluencers" portugueses sem razão: a chamada "mão invisível": ao recomendarmos corretoras que poupam comissões, os bancos perderam milhões e usaram todos os meios para que a reguladora reportasse à Meta qualquer aconselhamento financeiro implícito. Tentei recuperar a conta e processar a Meta; não deu em nada. Segui em frente.
Hoje, em vez de vender o meu tempo, reencaminho quem me pergunta "onde investir" para consultas com especialistas em investimentos e finanças, e ganho uma comissão por isso. Escalável e útil para todos.
Mas a maior conquista veio há 2 anos: dizer à minha mãe que já não precisava de trabalhar, porque eu conseguia pagar-lhe mais do que o trabalho que a estava a desgastar física e mentalmente. Também ajudei o meu pai várias vezes, e criei iniciativas que mudaram, literalmente, a vida de algumas famílias.
Hoje
Profissionalmente: licenciado em Finanças e Contabilidade pelo ISCTE, pós-graduado em Análise Financeira pela Porto Business School (média de 17), Analista Financeiro certificado a nível europeu (CEFA) pela EFFAS, membro n.º 677 da APAF, analista financeiro independente registado na CMVM e destacado na lista Forbes 30 Under 30 Europe. Finance 2026.
Pessoalmente: continuo a lutar comigo mesmo todos os dias, e transformo essa luta em trabalho, consistência e utilidade para quem me segue. Lembra-te: a luta é sempre connosco mesmos.
Esta é a história de um falhado que se tornou milionário.